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Diretor do Instituto Butantan se reúne com representantes da indústria na Fiesp em evento em prol da autonomia do setor de saúde

Encontro apontou para um cenário positivo, com possíveis oportunidades de redução da dependência de insumos importados e destacou o papel do Butantan neste quadro


Publicado em: 12/06/2026

Reportagem: Natasha Pinelli
Fotos: José Felipe Batista/Comunicação Instituto Butantan

 

Na quarta (10/6), o diretor do Instituto Butantan, Esper Kallás, esteve na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na capital paulista, para apresentar a palestra “Novo Ciclo de Expansão do Butantan: desafios tecnológicos e oportunidades para a indústria”. 

O objetivo do encontro, organizado pelo Comitê da Cadeia Produtiva da Saúde e Biotecnologia (ComSaúde), braço da Fiesp que reúne empresas, especialistas e representantes dos setores de saúde, biotecnologia e nanotecnologia, foi ampliar a comunicação destas empresas com representantes da indústria brasileira, com foco em novas oportunidades de negócios que fomentem a capacidade de inovação, autonomia e competitividade do país.

 

Esper Kallás, diretor do Instituto Butantan, durante apresentação na Fiesp

O diretor do Instituto Butantan, Esper Kallás, durante evento na Fiesp
 

“Em 2025, o Butantan teve um aumento de 88% nos investimentos em pesquisa e desenvolvimento. Grande parte desses recursos foi direcionado às nossas pesquisas clínicas, uma vez que essa é a rota essencial para trazer qualquer produto, desde a mesa de pesquisa do cientista até a beirada do leito com o paciente”, afirmou Esper Kallás.

Para a ComSaúde, o Instituto Butantan é um exemplo de organização que está preparada para essa sinergia com a indústria. “Poucas instituições têm condições de contribuir para essa construção de futuro como o Butantan. Pelo conhecimento científico e tecnológico acumulado, pela conexão com os principais centros de pesquisa do mundo e pela capacidade de enxergar tendências, o Butantan pode ajudar a direcionar a indústria brasileira para os desafios que a saúde enfrentará nos próximos anos”, observou o diretor titular do ComSaúde e vice-presidente da ⁠Fiesp, Ruy Baumer.

O secretário de Estado da Saúde de São Paulo, Eleuses Paiva, também estava entre os participantes do evento. Em sua fala de abertura, ele relembrou os impactos da pandemia de Covid-19 e a importância dos governos estadual e federal estarem devidamente preparados para enfrentarem de forma contundente situações similares. 
Ainda de acordo com Eleuses Paiva, nos últimos anos, o estado de São Paulo tem investido na consolidação de um polo produtor de imunobiológicos, encabeçado pelo Instituto Butantan, assim como na criação de um centro de respostas rápidas para futuras emergências sanitárias. “Estamos prevendo um investimento de quase R$ 1,5 bilhão para tirar essa proposta do papel e caminhar mais objetivamente”, reforçou.

 

Ruy Baumer, Eleuses Paiva, Esper Kallás e Gonzalo Vecina

Da direita para a esquerda: Ruy Baumer, Eleuses Paiva, Esper Kallás e Gonzalo Vecina
 

Crescimento do Instituto Butantan e oportunidades futuras

Esper Kallás iniciou sua apresentação com um breve panorama da história do Instituto Butantan e suas diferentes fases ao longo de seus 125 anos. A instituição, que sempre contribuiu com a saúde pública brasileira, aprofundou sua atuação na produção de imunobiológicos a partir do final da década de 1980, quando esteve sob a batuta do pesquisador Isaías Raw (1927-2022). Atualmente, a instituição é a principal fornecedora do Programa Nacional de Imunizações (PNI).

Na sequência, Esper Kallás pontuou os principais destaques do Instituto Butantan no ano de 2025, como a conclusão de três obras altamente estratégicas: o laboratório de biossegurança nível 3 (NB3); a usina de cogeração de energia e o Centro de Bem-Estar Animal.

“Temos também outros cinco projetos em fase de engenharia e sete unidades em construção sendo realizados dentro do Instituto”, compartilhou. De acordo com o diretor do Butantan, todos os novos projetos de prédios do complexo da instituição foram absorvidos por construtoras brasileiras. Quando o assunto é maquinário fabril, as empresas nacionais possuem forte oportunidade de fornecer equipamentos de inox e autoclaves.

Já em relação à expansão de portfólio, foi ressaltada a aprovação de cinco novas Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs), entre elas a do anticorpo monoclonal Pembrolizumabe, utilizado no tratamento de melanoma metastático e cânceres de pulmão, mama, cervical e esofágico. “Esse foi o produto que mais teve receita no mundo em 2025. Foram mais de US$ 35 bilhões captados pela venda do medicamento e estamos trazendo-o com transferência completa de tecnologia”, afirmou.

 

Panorama de auditório durante evento na Fiesp

O evento reuniu diversos representantes da indústria da saúde nacional
 

Outra PDP relevante é a do licenciamento junto à Pfizer da vacina do Vírus Sincicial Respiratório (VSR), que é indicado para grávidas a partir da 24ª semana para prevenir a bronquiolite em bebês. Desde dezembro de 2025, mais de um milhão de gestantes já receberam o imunizante.

Já entre os Programas para o Desenvolvimento de Inovação Local (PDILs), que contou com investimentos do Ministério da Saúde direcionados à execução de etapas críticas de projetos de inovação, Esper Kallás citou o desenvolvimento da vacina de influenza aviária como estratégia de preparação para uma possível nova pandemia.

No campo das parcerias estratégicas, foi citado pelo diretor do Instituto Butantan a colaboração com a biofarmacêutica chinesa IASO Bio para o desenvolvimento local de uma terapia celular CAR-T para doenças hematológicas, como cânceres de sangue. O tratamento utiliza as células do sistema imune do próprio paciente para combater o problema. “Os primeiros resultados se mostraram extraordinários para o tratamento refratário de linfoma. Agora será aberta uma discussão com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para pedir a aprovação emergencial do produto”, disse Esper Kallás.

Além dos licenciamentos e das transferências de tecnologia, o Instituto Butantan tem reunido esforços para garantir o desenvolvimento interno e integral de uma série de outras vacinas e anticorpos monoclonais.

 

Representantes da diretoria do Butantan

Membros da diretoria do Instituto e da Fundação Butantan também participaram do evento
 

Principais desafios e encerramento

Dentre as lacunas para que a indústria nacional consiga contribuir de forma mais ativa com o fornecimento de itens críticos para a fabricação de imunobiológicos – reduzindo assim a dependência das importações –, chamaram atenção os seguintes pontos: a falta de escalabilidade; a dificuldade de encontrar fornecedores nacionais capazes de atender às especificações de qualidade impostas ao setor farmacêutico; e a necessidade de políticas de governança bem consolidadas, capazes de atender as exigências previstas nas licitações públicas.

O balanço final do encontro apontou para um cenário positivo, de expressivo crescimento econômico e tecnológico, mas ainda com importantes desafios a serem superados pela indústria nacional da saúde. “Não existe simplicidade nesse mundo, existe complexidade. O Butantan faz parte dessa complexidade, e tem conseguido bons resultados”, ponderou o médico sanitarista Gonzalo Vecina, que acompanhou as discussões da mesa e falou ao final do encontro.

Diversos representantes do quadro executivo do Instituto e da Fundação Butantan também estiveram presentes no evento. Entre eles, o vice-diretor do Instituto Butantan e coordenador da Escola Superior do Instituto Butantan (ESIB), Rui Curi; o superintendente geral da Fundação Butantan, Marcio Augusto Lassance; o diretor do Jurídico, Flávio Borgheresi; a diretora Médica, Fernanda Boulos; a diretora de Regulatório, Qualidade e PMO, Rosilane de Aquino Silva; o diretor de Inovação, Cristiano Gonçalves; o diretor de Compras, Nicolau Mandia Neto; o diretor de Compliance, Riscos e Auditoria Interna, Pedro Jeha; e a diretora Administrativa, Renata Gomes.