Pesquisador espanhol que mediará simpósio avalia tecnologia da CoronaVac como a mais eficaz no combate à pandemia


Publicado em: 09/12/2021

Cientistas de diferentes países estarão presentes no CoronaVac Symposium, nos dias 7, 8 e 9/12, para discutir dados científicos sobre a vacina do Butantan e da Sinovac. No terceiro dia, a mesa sobre subpopulações e pacientes com comorbidades será mediada pelo pesquisador Rafael Franco, da Universidade de Barcelona, que liderou um estudo que conclui que vacinas de vírus inativado, como a CoronaVac, são mais eficazes no controle da pandemia por induzirem uma resposta imune mais ampla.

O artigo mostra que países que adotaram imunizantes de vírus inativado como principal vacina, como Chile, Uruguai e China, tem tido um desempenho melhor na redução do número de casos de Covid-19 em relação a países como Estados Unidos, Israel e Reino Unido, que utilizam vacinas de RNA mensageiro e vetor viral de adenovírus. Apesar dos altos índices de vacinação, estes países sofreram um aumento considerável de casos devido à variante delta, mais transmissível.

Por ser feita com todos os fragmentos do vírus inativado, estratégia mais aceita e consolidada no mundo, a CoronaVac permite que o nosso sistema imune reconheça mais proteínas do vírus além da proteína Spike – alvo das demais vacinas –, tornando a resposta imune mais abrangente. As novas tecnologias de imunizantes conferem alta proteção contra a cepa original do SARS-CoV-2, mas tendem a perder a eficácia com o surgimento de novas variantes.

Os autores chamam atenção para o fato de diversos países terem enfrentado novas ondas de infecção mesmo com um grande número de vacinados. “Na Espanha, por exemplo, no final de julho de 2021 nós estávamos em nossa quinta onda e já existem evidências de que uma sexta onda virá. Em casas de repouso em que todos os residentes estavam vacinados (mais de 90% com vacinas de RNA mensageiro), também surgiram novos casos. Isso não era esperado no início da vacinação”, apontam os pesquisadores no artigo.

A conclusão dos cientistas é que a administração da CoronaVac e outros imunizantes de vírus inativado seria uma estratégia mais eficiente para obter imunidade coletiva. Essa tecnologia permite uma produção diversificada de anticorpos, tanto neutralizantes – que ajudam a prevenir a infecção das células – como não neutralizantes – importantes para evitar a replicação viral, pois ajudam outras células do sistema imune a reconhecer a infecção e combatê-la.

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