Passaporte de vacina é medida fundamental e já é usada para febre amarela; não é novidade, diz médico sanitarista

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Publicado em: 09/12/2021

A exigência do comprovante de vacinação contra a Covid-19 para a entrada no Brasil tem sido alvo de muita discussão. O tema foi pauta da mesa redonda do CoronaVac Symposium na tarde desta quinta (9), no último dia do evento online produzido pelo Butantan e a Sinovac. Para Gonzalo Vecina Neto, médico sanitarista e ex-diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), esta é a única maneira de impedir a entrada de pessoas infectadas e reduzir os riscos da disseminação da nova variante ômicron do vírus SARS-CoV-2 no país.

“Hoje, a ômicron já está em mais de 50 países, então não se trata de fechar a porta para países porque não sabemos mais onde a variante está circulando. Mas o passaporte de vacina certamente ajudará a controlar melhor a disseminação da doença. E não é nada inédito, nós já fazemos isso com a febre amarela. Nenhuma pessoa que vem de uma região onde há transmissão silvestre de febre amarela pode entrar no Brasil sem ser vacinado”, reforçou Vecina.

Os outros convidados da mesa redonda também chamaram a atenção para o negacionismo da ciência que acompanha a pandemia desde o início e para a discussão sobre restrição de liberdade. “Essa questão está resolvida na constituição brasileira, que diz que o direito à vida se sobrepõe a todos os outros”, apontou Vecina.

A médica e comunicadora Thelma de Assis lembrou que as regiões onde há aumento de casos de Covid-19 são locais com baixa cobertura vacinal. “Tomar a vacina é uma medida de segurança que não fere o direito de ir e vir das pessoas. Infelizmente nós temos um movimento negacionista no país, e pessoas que trabalham com ciência não podem ser coniventes com isso”, afirmou. 

O presidente do Butantan, Dimas Covas, acrescentou que diversos países da Europa e da América do Norte exigem comprovante de vacinação para entrar em qualquer local, como restaurantes e outros estabelecimentos. “O passaporte vacinal não é nenhuma inovação, é um instrumento de proteção coletiva. A variante ômicron provavelmente já está circulando no país e nós não vamos conseguir acompanhá-la na medida em que é necessário. Por isso, mais do que nunca, o passaporte é fundamental.”