Projeto Serrana vai estudar impacto da vacinação no controle da epidemia, na transmissão da doença e em diversos outros aspectos
Publicado em: 18/02/2021

O efeito da vacinação no controle da pandemia de Covid-19 e na transmissão do vírus de pessoa para pessoa estão entre as principais questões a serem estudadas pelo Projeto S, mas não são as únicas. O estudo epidemiológico clínico que o Butantan realiza na cidade de Serrana, interior de São Paulo, vai analisar também o impacto da vacinação na carga da doença, a ocorrência de efeitos adversos, as consequências econômicas e até a importância do uso de ferramentas digitais de acompanhamento.

“Com a eficácia e a segurança da vacina do Butantan já comprovadas, o estudo vai agora verificar o controle da disseminação do vírus e a redução de contágio”, resumiu o governador paulista, João Doria, em entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes nesta quarta-feira (17/2). “O Butantan não poderia ter forma melhor de celebrar os seus 120 anos do que oferecendo, clinicamente e cientificamente, um programa de imunização como esse, que vai imunizar cerca de 30 mil moradores de Serrana.”

O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, lembrou que o Projeto Serrana é uma das inovações por meio das quais a Ciência tem respondido aos desafios atuais, e que um estudo como este só poderia ser feito durante a pandemia. “Nós estamos fazendo isso pela primeira vez no mundo. É um projeto que vai estudar a eficiência da vacina”, salientou.

As principais perguntas a serem respondidas pelo Projeto S serão:

A epidemia pode ser controlada pela vacinação de uma cidade inteira? “Sabemos que a vacina protege contra a doença, a manifestação clínica, mas não sabemos o efeito da vacina sobre o curso da epidemia”, explicou Dimas Covas.

A vacinação impede que o vírus seja transmitido de uma pessoa para outra? “Pode ser que a vacina controle a doença, mas não impeça a transmissão e, portanto, podemos ter que conviver com esse vírus por muito tempo. Se ela impedir a transmissão, o vírus pode desaparecer”, afirmou o diretor do Butantan.

Qual o efeito da vacinação na redução da carga da doença? O que ela vai significar em termos de economia para o sistema de saúde, redução na ocupação de leitos hospitalares, no número de consultas médicas, no uso de recursos que vem sendo empregados maciçamente e na liberação dos hospitais para o tratamento das outras doenças que, neste momento, ficaram em segundo plano.

Dimas explicou também que em Serrana estão sendo testadas diversas ferramentas digitais que podem ser úteis no combate à epidemia por meio da assistente virtual Tainá, uma plataforma de serviços que reúne: aplicativo para controle da vacinação, aplicativo de acompanhamento de reações adversas, aplicativo de identificação de sintomas compatíveis com a Covid-19, censo geolocalizado em tempo real – tudo com o objetivo de permitir a vigilância ativa dos voluntários. “Não é só a questão do clínico. A Tainá vai além, no sentido de fornecer ferramentas que podem ser usadas de forma extensiva no Brasil”, completou.

Nesta quarta-feira (17/2), o Projeto Serrana entrou em uma nova etapa, com o início da vacinação dos moradores do Grupo Verde. As imunizações se estenderão até 13/3. Mais de 90% da população da cidade já se cadastrou para participar da pesquisa científica.

 

 

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