Conjunto arquitetônico do Butantan completa 40 anos de tombamento histórico
Publicado em: 13/09/2021

Há 40 anos, mais exatamente no dia 14 de setembro de 1981, o conjunto arquitetônico do Instituto Butantan era reconhecido pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (CONDEPHAAT) como bem cultural de interesse histórico e paisagístico estadual por meio da Resolução 35, inscrita sob o número 98 no Livro de Tombo Histórico.

O tombamento dos prédios abriu caminho para sua conservação e proteção e garantiu que eles não fossem descaracterizados nem modificados. A iniciativa demonstra a importância do conjunto arquitetônico e valoriza a trajetória do instituto em todos os seus 120 anos.

Alguns dos prédios mais antigos e mais importantes que compõem o conjunto arquitetônico são os prédios da Biblioteca (Edifício Vital Brazil), a Casa Afrânio do Amaral, o Pavilhão Lemos Monteiro e o Prédio Novo. O prédio da Biblioteca, conhecido cartão postal do Butantan, é o mais antigo deles e foi construído na época de Vital Brazil. Conheça mais sobre ele a seguir.

 

 

Prédio mais antigo do Butantan

O prédio mais antigo do Instituto Butantan é uma homenagem ao médico sanitarista que foi seu fundador e primeiro diretor. Inaugurado em 1914 com o nome de Edifício Vital Brazil, foi um dos primeiros laboratórios usados por Vital para pesquisar e desenvolver seus soros e vacinas. Rebatizado em 2014 e atualmente conhecido como Prédio da Biblioteca ou Prédio Central, abriga a Biblioteca do Butantan, com importante acervo especializado de mais de 15 mil obras, e o Centro de Memória, além de laboratórios de pesquisa.

As obras do edifício foram iniciadas em 1910 e terminaram em 1913, seguindo o projeto do engenheiro e arquiteto Mauro Álvaro de Souza Camargo. Sua construção faz parte de um movimento do começo do século XX por meio do qual foram construídas obras imponentes e sofisticadas para sediar as instituições científicas que se afirmavam no país.

Possui características arquitetônicas que remetem ao estilo Sezession, estrutura imponente, vidros nas portas e janelas gravadas com o então logotipo do instituto e acabamento de ladrilhos hidráulicos trazidos da Alemanha para compor o piso. Na sua inauguração estiveram presentes diversas autoridades governamentais e científicas, como membros do Instituto Pasteur e da Faculdade de Medicina e Cirurgia (atual Faculdade de Medicina da USP).

Desenvolvido conforme os desejos de Vital Brazil, o prédio serviu como estopim para a ampliação de pesquisas e produções científicas. Em seu interior, foram gerados alguns dos primeiros soros antipestosos e antiofídicos do instituto. Sua construção serviu para afirmar a presença e importância do Butantan como instituição de investigação científica.

Nos seus primeiros anos, abrigou laboratórios, sala de visitação e demonstração no térreo; biblioteca, administração e secretaria no andar superior; e um depósito de materiais no sótão. Ao longo das décadas, foi sede de diversos tipos de laboratórios, como o de bioquímica e o de farmacologia, e também setores administrativos como o Núcleo de Documentação, que faz parte do Centro de Desenvolvimento Cultural.

 

Imagens: Acervo Instituto Butantan/Centro de Memória