Presidente do Butantan é o primeiro brasileiro da área de saúde a receber Friendship Award e Great Wall Friendship Award, homenagens do governo chinês


Publicado em: 04/11/2021

O presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, se tornou o primeiro brasileiro da área de saúde a receber o Friendship Award, o prêmio mais importante concedido pelo governo da China a estrangeiros que fizeram contribuições de destaque para a modernização do país, e o Great Wall Friendship Award, máximo reconhecimento do governo de Pequim concedido a estrangeiros. A homenagem foi anunciada no último sábado (30) pelo vice-primeiro-ministro do país asiático, Liu He, em cerimônia online. 

“A ciência não tem fronteiras”, afirmou Liu, convocando chineses e especialistas de outras nacionalidades a trabalharem juntos pela prosperidade e progresso mundial. O vice-primeiro-ministro estendeu suas congratulações aos demais homenageados e agradeceu pelo apoio no desenvolvimento da China.

Desde sua criação, em 1991, o Friendship Award homenageou 1.799 profissionais de mais de 60 nações. No período 2020/2021, o reconhecimento foi concedido a 100 especialistas estrangeiros de 32 países. Já o Great Wall Friendship Award, que existe desde 1999, já reconheceu o trabalho de 206 pessoas nas áreas de redes de inteligência, indústria verde, desenvolvimento na área de saúde e medicamentos, economia digital, cooperação internacional e tecnológica.

Durante a cerimônia online, Dimas Covas definiu o prêmio como uma prova de que a parceria entre Brasil e China pode criar impacto positivo na humanidade. O Butantan é parceiro de duas farmacêuticas do país asiático, a Sinovac e a Bravovax. Com a Sinovac, o instituto produz a CoronaVac, vacina contra a Covid-19 que iniciou a campanha de imunização no Brasil. Com a BravoVax, a parceria do Butantan é para o desenvolvimento de uma vacina pentavalente contra o rotavírus.

Dimas lembrou que a relação com a Sinovac começou antes da pandemia, no início de 2019, e se intensificou a partir de junho de 2020, quando o Butantan começou a implementar os ensaios clínicos de fase 3 da CoronaVac no Brasil. Segundo o professor, o principal desafio enfrentado na época foi que a situação de pandemia exigiu o estabelecimento de um novo critério de avaliação para vacinas.

“Os padrões existentes, onde os baixos níveis de infecção são o principal critério de avaliação, são mais condizentes com vacinas desenvolvidas durante endemias. Pela primeira vez, na luta contra o coronavírus, desenvolvemos uma vacina durante uma pandemia. Neste caso, o que é mais importante é a prevenção de mortes e casos graves para reduzir as taxas de hospitalização”, explicou Dimas. O imunizante teve um excelente desempenho em prevenir casos graves da doença e óbitos, além de reduzir as taxas de hospitalização, e demonstrou o perfil mais seguro entre as opções de vacina disponíveis.

Segundo Dimas, outro desafio foi combater a pandemia em seus estágios iniciais. “Graças à CoronaVac, tivemos acesso a uma vacina logo no início de 2021, permitindo que o governo brasileiro lançasse a campanha de imunização”, completou. Atualmente, a vacina do Butantan e da Sinovac é o imunizante mais usado no mundo: mais de 2 bilhões de doses foram entregues a mais de 40 países. No Brasil, foram aplicadas mais de 100 milhões de doses, fornecidas ao governo federal e a governos estaduais. 

“Essas não foram conquistas que realizei sozinho, e há muitas pessoas que também são merecedoras desse prêmio”, ressaltou Dimas, agradecendo à equipe do Butantan, ao governo de São Paulo e à Sinovac. “Infelizmente, a pandemia ainda não acabou. Muitos ainda sofrem com a Covid-19 e muitos mais ainda terão que lidar com as consequências dessa terrível doença. Não vou parar por aqui. Continuo meu esforço para oferecer avanços científicos às pessoas ao redor do mundo e estreitar ainda mais nossa relação estratégica com a China e nossos parceiros chineses.”