Para acolher colaboradoras, Butantan cria Sala de Apoio à Amamentação
Publicado em: 02/02/2021

Pensando no bem-estar das colaboradoras, o Instituto Butantan inaugurou, em novembro do ano passado, uma sala para coleta de leite materno. A implementação, que faz parte do programa QVT (Qualidade de Vida no Trabalho), começou a ganhar vida quando uma colaboradora sugeriu ao departamento de Recursos Humanos a criação de um lugar para essa finalidade. Hoje, a sala instalada nas dependências do Instituto existe e se transformou em um lugar acolhedor e aconchegante.

A sala é composta por dois ambientes: o primeiro, destinado à higienização e o segundo, à ordenha. Além de ser bem decorado, o ambiente conta com poltronas e freezer para armazenamento do leite. Tatiane Candido da Silva, colaboradora no setor de Qualificação – Garantia da Qualidade, que chegou ao Instituto há três meses e tem uma filha de 11 meses, elogia: “Um espaço muito confortável, agradável e bem localizado”.

Desiree Araujo, assistente contábil, se sente privilegiada e muito grata ao Butantan. Sabe que não são todas as mulheres que podem continuar amamentando seus filhos quando retornam do período de licença-maternidade. “Sabendo da importância que a amamentação tem diretamente na vida de ambos – mães e filhos, me tranquiliza saber que durante o dia eu vou poder ter esse tempo para suprir as necessidades do meu bebê”, avalia.

Roberta da Silva trabalha na produção de vacina da dengue. A colaboradora, que tem uma menina de 11 anos e um segundo filho com seis meses, diz que não teve a mesma oportunidade na primeira gravidez e ressalta o quão atencioso o IB foi em possibilitar um projeto como esse.

Embora a última pesquisa realizada pelo ENANI (Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil) tenha apontado dados animadores que indicam o aumento no índice de aleitamento materno no decorrer dos últimos anos, o desmame ainda ocorre precocemente. Isso porque, após a licença, cuja duração mínima é de 4 meses, as mães não têm onde realizar a extração do leite.

O Butantan possui uma equipe multidisciplinar – inclui enfermeiros, nutricionistas, assistente social e psicólogos – que visa dar apoio tanto no início da gravidez como no pós-parto. Para isso, é preciso que a colaboradora informe a gestação ainda no começo para, a partir de então, contar com o suporte que o instituto oferece. Nesse apoio, inclui-se o Manual da Colaboradora Gestante, que traz informações para uma gestação saudável, dicas para boa alimentação e incentivo a práticas de saúde e autocuidado. Além disso, ao iniciar a utilização da sala, a mãe ganha um folheto produzido cuidadosamente, com todo o passo a passo para a extração, desde o preparo dos frascos até recomendações sobre coleta, transporte e manipulação do leite materno.

Thamara Ayala de Martino, no IB há quase 10 anos, trabalha no Laboratório de Coleções Zoológicas e deu à luz sua primeira filha, que hoje está com quatro meses e meio. A funcionária conta que retornou recentemente da licença-maternidade e comemora: “O Butantan está fazendo uma maravilha pelas funcionárias, porque além de ser muito importante para os bebês, acho que isso traz mais segurança ainda para a colaboradora. Isso faz com que o nível de confiança no retorno à empresa aumente. Vejo no Butantan a minha segunda casa!”. Thamara lembra que foi disponibilizado um auxílio para que as mães consigam pagar creches ou escola para os filhos. “Eu vejo o Butantan como uma empresa que realmente se importa”, afirma a colaboradora.

“Esse programa de aleitamento materno é aquele abraço cheio de amor em cada uma de nós”

Essa foi a maneira que Desiree encontrou para descrever suas impressões e gratidão sobre a ação do Butantan. De acordo com ela, a maior preocupação de uma mãe em voltar ao trabalho é a questão da amamentação.

Jéssica Sousa Silva, nutricionista no IB, explica que dentre os desafios pelos quais as mães passam está a insegurança do retorno e, junto disso, as dificuldades que o período de amamentação apresenta. “Estamos aqui para tentar fazer com que elas conheçam o espaço que têm, para que continuem com o aleitamento exclusivo até seis meses e, depois desse período, complementar o leite com a alimentação até os dois anos. Por isso a importância do estímulo”, explica Jéssica. Esse estímulo não se dá somente pelo bebê sugando, mas também com a bombinha e com a ordenha correta. Quando a mama enche de leite, ela logo precisa ser esvaziada, por isso a importância da sala para extração.

Desde o começo da gravidez, a equipe trabalha no amadurecimento da ideia do aleitamento materno para que a prática se torne uma cultura dentro do Instituto. Além de trazer benefícios tanto à colaboradora como ao seu filho, a ação da Qualidade de Vida no Trabalho tenta minimizar a ansiedade que o retorno causa. Bem como acolher essa nova mamãe, para que os fatores psicológicos de estresse não dificultem a descida do leite, e servir de ferramenta para que elas procurem órgãos e postos de saúde para participarem de palestras e programas de orientação.

Quando as mães retornam ao trabalho, Beatriz Franchi e Jéssica Silva realizam o acolhimento e explicam o uso da sala. As profissionais contam com a ajuda da assistente social Elisangela Fernandes, que traz o suporte necessário para melhorias e abraça as ideias. Existe ainda um grupo no WhatsApp intitulado “Sala da Nutriz”, cujo objetivo é facilitar a comunicação e interação entre as mães, além de servir como canal para sanar dúvidas. Denomina-se nutriz toda mulher que amamenta.

Nutrizes em ação!

Thamara conta que quando utilizou a sala pela primeira vez, já tinha extraído leite naquela manhã, no laboratório em que trabalha. E comenta a disposição da equipe em envolver as mamães no projeto: “A Jéssica falou: ‘traz o seu leite que a gente já estreia a etiqueta e o freezer’. Então eu levei o leite na sala e ela me mostrou como funciona o procedimento, tanto o acesso à sala, extração e armazenamento quanto o deslocamento desse leite até a minha residência. Foi muito bacana!".

Desiree conta que amamenta seu filho no período da manhã, assim ela vai à sala somente uma vez ao dia, geralmente depois do almoço. Segue todos os protocolos de higienização: uso do avental, touca, propés e máscara. Com as mãos limpas e lavadas, é hora de fazer a extração do leite e, para isso, a colaboradora usa uma bomba elétrica. “Despejo a extração no vaso de vidro apropriado, com 120ml, fecho com a tampa de plástico bem direitinho, coloco a etiqueta para identificar e deixo no freezer. No final do dia, eu passo lá só para retirar e levar para casa”, explica.

Julliana tem um filho de seis meses e diz que a demanda de seu leite diminuiu. Por esse motivo, também utiliza a sala após o almoço e somente uma vez ao dia. Conta que o filho fica em uma escola e quando vai buscá-lo, deixa o leite lá. Frisa que no ambiente em que trabalha, ela teria condições de retirar o leite e armazená-lo, mas que sempre pensou nas mulheres que não tinham essa disponibilidade em seus laboratórios. Diz, satisfeita: “Essa ação abraçou por igual todas as mães”.

As experiências relacionadas à utilização da sala variam. Enquanto algumas mães se adaptam bem, outras nem tanto, e isso é normal. As mães necessitam de tempo para o corpo se adaptar e entender que cada uma produz quantidades diferentes enquanto trabalha. O período de amamentação, embora muito bonito, pode trazer consigo desafios e dor.

Tatiane, por exemplo, tentou usar o lugar três vezes por dia, mas não conseguia extrair com sua máquina de ordenha automática. Adquiriu então uma manual e, com isso, conseguiu um pouco mais de leite. Mas ainda assim o volume era muito pequeno. A colaboradora relata que isso a deixou desmotivada e que interrompeu o uso da sala, visto que os seios se adaptaram à rotina de amamentar sua filha em casa. “Consigo ficar bem ao longo do dia. Quando vou embora, meus seios não estão desconfortáveis; eles estão cheios, mas sem dor. E eu consigo produzir o leite para minha filha na hora que ela está mamando”, explica.

Thamara afirma que muitas mães desistem por causa dessas dificuldades. “A amamentação é muito bonita, mas também pode ser muito cruel. Eu tive alguns problemas no começo. Minha filha não pegava direito, fiz relactação, levei na fono, fiz consultoria de amamentação e tudo isso me trouxe um desgaste emocional muito grande”, relembra.

“O amor transborda em forma de alimento”

Para o Programa de Aleitamento Materno ficar ainda mais completo, o Instituto Butantan entregou às colaboradoras mamães, na última semana, o kit de extração de leite – que vem com dois vidros para armazenamento do alimento e uma bolsa térmica que ajuda no transporte. Beatriz, enfermeira no IB, explica que a ideia partiu da Qualidade de Vida no Trabalho com o objetivo de agradar as mães, mas também divulgar o cuidado e a padronização do suporte. Assim, as mães pioneiras da ação conversam entre si e entre os setores, chamando atenção das futuras gestantes.

A entrega dos kits – cuja embalagem vem com a frase “o amor transborda em forma de alimento” como mensagem – foi marcada por carinho e empolgação e estavam presentes as mães que fizeram parte do programa ou que ainda fazem. Ao entregar um dos primeiros kits, Elisangela anunciou: “Uma lembrancinha do programa QVT para se sentirem mais acolhidas!”.

No momento, poucas mães utilizam a sala, mas o tempo de uso pode variar dependendo da decisão de cada uma em continuar amamentando. O projeto é promissor e a equipe garante muitas novidades. Uma delas é a busca pelo certificado Sala de Apoio à Amamentação da OMS (Organização Mundial da Saúde), que concede uma placa à sala. Com esse reconhecimento, será mais um passo rumo ao fortalecimento do programa.

Na ocasião, Elisangela anunciou também que o QVT está trabalhando em um futuro kit maternidade com alguns itens para a mãe iniciar seu enxoval. Outra novidade, que vem após a certificação da sala, são as planilhas para acompanhamento que possibilitarão dados robustos para o acompanhamento e análise do programa.

Para a Semana Mundial de Aleitamento Materno deste ano, que ocorre na primeira semana de agosto, a equipe cogita a implementação de doação de leite. Para isso, será necessário o apoio do Ministério e Secretaria da Saúde, bem como de alguns hospitais. O propósito agora é aumentar a demanda da sala e a aceitação tanto das funcionárias quanto dos gestores de cada setor no que diz respeito à flexibilização dos horários que a extração pede.