Projeto S vai influenciar a criação de políticas públicas no mundo todo; primeiras conclusões saem após três meses do início do estudo
Publicado em: 16/02/2021

O Projeto S vai avaliar e responder em um curto espaço de tempo qual é o efeito da vacinação na redução de casos graves de Covid-19 e na transmissão do novo coronavírus. A vacinação da população do município de Serrana, a 20 quilômetros de Ribeirão Preto, começa nesta quarta (17), e as respostas obtidas com o estudo influenciarão a criação de políticas públicas no Brasil e no mundo.

"Serrana vai responder se a vacinação de fato terá um efeito imediato e duradouro na pandemia", explicou o diretor-presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, na última sexta (12), durante a coletiva de lançamento do projeto. “Além da vacinação, e do fato de poderem se proteger contra as manifestações da doença, os moradores de Serrana também estão contribuindo para ajudar a humanidade”, salientou.

Somado a entender o impacto da vacinação sobre a redução de casos e a transmissão da doença, o Projeto S também conhecerá seu efeito em aspectos indiretos, como a adesão das pessoas, o aparecimento de reações adversas e as consequências para a economia. Os moradores serão acompanhados por mais um ano após a vacinação, na busca por essas respostas.

A expectativa é que em 12 semanas os pesquisadores consigam obter as primeiras conclusões, ou seja, a avaliação do desfecho primário. No final do estudo, se for comprovado que a vacinação é capaz de controlar o vírus na comunidade, as estratégias vacinais futuras levarão em conta essa realidade.

“Ninguém sabe o real impacto da vacinação em uma população grande”, complementou o diretor geral do Hospital Estadual de Serrana, Marcos Borges, durante a coletiva de imprensa. Também estavam presentes no evento o médico hematologista Pedro Garibaldi, o prefeito de Serrana, Léo Capitelli, e a secretária de Saúde e vice-prefeita, Leila Gusmão.

Uma pesquisa científica, não um programa de vacinação

O Projeto S não é um programa de vacinação, mas sim uma pesquisa científica realizada com controle absoluto. Uma comparação é com Israel, que já vacinou 40% de sua população: ainda que conclusões relacionadas à vacinação estejam sendo publicadas por organizações locais, o que ocorre no país do Oriente Médio é a observação dos resultados da vacinação em massa, não um estudo controlado. “Este é o primeiro estudo dessa magnitude, com esse desenho, que está sendo feito no mundo”, afirma Dimas Covas.

A Sinovac, parceira do Instituto Butantan no desenvolvimento da CoronaVac, também acompanha o estudo de perto e aguarda os resultados.

A vacina do Butantan

A vacina que será usada em Serrana é a vacina do Butantan, a CoronaVac, que está sendo enviada ao PNI (Plano Nacional de Imunização). Ela é uma das vacinas mais seguras do mundo. A CoronaVac, de acordo com Dimas Covas, pode ser uma das mais eficazes contra novas mutações: “A vacina do Butantan é diferente. É uma vacina com vírus inteiro inativado, ou seja, quebrado nos seus pedaços, e são esses pedaços que formam a vacina. Então, quando o indivíduo recebe esses pedaços do vírus, ele produz uma resposta imunológica ampla, que vai produzir os anticorpos contra os vários pedaços do vírus e não contra um pedaço. Portanto, a chance dessa vacina ter problema com essas variantes é menor que as demais.”

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