Em estudo preliminar, CoronaVac mostra resposta imune de 71% contra variante ômicron do SARS-CoV-2

Estudo realizado no Chile indica que pessoas que receberam três doses da CoronaVac conseguem ativar seus linfócitos T contra a proteína S da variante ômicron da Covid-19, assim como acontece com a cepa original do vírus SARS-CoV-2


Publicado em: 05/01/2022

Resultados preliminares de um estudo chileno ainda não publicado indicam que três doses da CoronaVac, a vacina contra Covid-19 do Butantan e da farmacêutica chinesa Sinovac, conseguem ativar a resposta imune celular contra a variante ômicron. O anúncio foi feito no final de dezembro à imprensa chilena. O estudo envolveu pesquisadores da Universidade do Chile, do Instituto La Jolla, da Califórnia, e da Sinovac.

Em entrevista ao site do jornal El Mercurio, o pesquisador Alexis Kalergis, diretor do Instituto Milênio de Imunologia e Imunoterapia e professor na Pontifícia Universidade Católica do Chile, afirmou que os linfócitos T no sangue dos vacinados com a dose de reforço da CoronaVac mostraram uma resposta imune de 71% frente à proteína S da variante ômicron. Ou seja, indivíduos vacinados com CoronaVac possuem linfócitos T (que fazem parte do sistema imune e ajudam a proteger o corpo contra infecções) que são ativados contra a proteína S (principal arma do vírus SARS-CoV-2 para infectar células humanas) da variante ômicron de forma semelhante ao que acontece com a cepa original do SARS-CoV-2.

“Os primeiros resultados que obtivemos são respostas celulares, que são células chamadas linfócitos T, que reconhecem antígenos de coronavírus. Fomos capazes de medir a capacidade de reconhecimento e de resposta imune em amostras obtidas de pessoas vacinadas com duas doses da CoronaVac, mais a dose de reforço, e detectamos um nível significativo de reconhecimento da proteína S da variante ômicron”, explicou Kalergis em entrevista à Rádio Pauta.

A pesquisa considerou um grupo de 24 pessoas que haviam completado o esquema vacinal com CoronaVac e recebido uma dose de reforço do mesmo imunizante seis meses depois. Amostras de sangue dos vacinados foram avaliadas em laboratório para verificar a capacidade específica dos linfócitos T em identificar os vírus da variante ômicron. "Esses linfócitos T têm a capacidade de reconhecer células infectadas para eliminá-las. Para conseguir isso, os linfócitos T também devem produzir uma molécula antiviral chamada interferon gama e nossos resultados mostram que essa molécula foi efetivamente produzida”, disse o pesquisador chileno.

A imunologista Denise Tambourgi, liderança científica do Instituto Butantan, comenta que tal interação promove ativação celular, fato que foi avaliado pela produção de interferon gama pelas células T. Sendo o interferon gama uma citocina assinatura de linfócitos T ativados, que desempenham um importante papel na resposta imune antiviral, “tais resultados são bastante promissores e revelam o potencial da CoronaVac no combate às variantes do SARS-CoV-2”. “Os resultados preliminares da equipe responsável pelo estudo de fase 3 da CoronaVac no Chile indicam que esta vacina induz uma resposta imune celular capaz de reconhecer a nova variante da Covid-19, a ômicron”, resume ela.

 

 

*Este texto é uma colaboração do jornalista científico Peter Moon para o portal do Butantan