Ainda dá tempo de se proteger da gripe; entenda por que a vacina da influenza é essencial em meio à pandemia da Covid-19
Publicado em: 01/07/2021

Quem ainda não se vacinou contra a gripe pode ser imunizado até 9/7, último dia da campanha deste ano de vacinação contra a influenza. Para receber o imunizante, é só se dirigir a um posto de saúde, principalmente se você faz parte dos grupos prioritários, como idosos, crianças (maiores de seis meses e menores de seis anos) e gestantes. Com a vacinação da população-alvo, os que não fazem parte deste grupo também se beneficiam indiretamente, criando um efeito ainda maior de proteção.

É sempre importante lembrar de que a vacinação é um ato coletivo, e não somente individual, pois ajuda a interromper a cadeia de transmissão de doenças respiratórias, como a influenza, principalmente nos meses mais frios do ano, quando essas enfermidades costumam se espalhar com mais facilidade. 

"Para controlar uma doença, é necessário ter alta cobertura vacinal, para que o vírus não tenha para onde correr", afirma a responsável pela Farmacovigilância do Instituto Butantan, Vera Gattás, doutora em doenças tropicais e saúde internacional pelo Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo (USP).

A imunização contra a gripe é especialmente importante em meio à pandemia do novo coronavírus. Segundo a responsável de Farmacovigilância, as duas doenças têm muitos sinais e sintomas parecidos. Portanto, se o indivíduo está vacinado contra a influenza, é mais fácil e rápido diagnosticá-lo com Covid-19, para que o caso não se agrave. Além disso, as enfermidades têm os mesmos fatores de risco, como doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), diabetes mellitus e cardiopatias. Por isso, contrair as duas doenças pode ser ainda mais grave para o paciente.

Assim como a Covid-19, a gripe pode acarretar em casos graves, internações e óbitos. "Não faz sentido não se vacinar com um imunizante bom e seguro", reforça Vera. Outro ponto relevante é que a vacinação contra a gripe evita sobrecarregar ainda mais o sistema de saúde, que já está lotado tanto no atendimento ambulatorial quanto nos leitos de internação. 

De acordo com a responsável de Farmacovigilância, muitas pessoas ainda não se vacinaram contra a influenza por medo de sair de casa e ir até uma unidade de saúde. Porém, mesmo circulando pouco, é possível se contaminar em idas ao mercado ou à farmácia, por exemplo. Por isso, se for sair de casa, que seja para ajudar a proteger a sua saúde e a dos demais. 

A especialista ressalta que alguns postos de saúde estão organizando as campanhas das duas vacinas de forma a evitar aglomerações e dificultar a transmissão de vírus. As pessoas também podem - e devem - reforçar as medidas de proteção ao saírem de casa para receber uma vacina usando máscaras, passando álcool em gel nas mãos e mantendo o distanciamento social. Uma das recomendações da colaboradora do Butantan é utilizar uma máscara adequada, como a PFF2. 

Assim que possível, o ideal é se vacinar contra as duas doenças. Mas fique atento: é preciso um intervalo de 14 dias entre o recebimento de um imunizante e outro, para que a resposta imunológica do indivíduo não seja prejudicada. Tomar as duas vacinas em um intervalo menor do que o recomendado constitui erro de imunização.

Vacinação x novas cepas

A gripe, bem como o imunizante contra ela, é amplamente estudada. A vacina é modificada todo ano porque existe um monitoramento constante da Organização Mundial da Saúde (OMS) para acompanhar quais são as principais cepas circulantes nos hemisférios norte e sul anualmente. "Novas cepas são produto da alta circulação do vírus. Quanto mais tempo os micro-organismos circulam, mais fortes e mais adaptados eles ficam", explica Vera. 

Com mais de 20 anos de campanha contra a influenza no Brasil, já não temos tantos casos graves e óbitos em grupos de risco, como idosos, gestantes e profissionais da saúde. "O que poderia se tornar uma grande pandemia, como é o caso da Covid-19, não atinge essa proporção devido à vacinação", finaliza a responsável pela Farmacovigilância.