Foi a pior experiência profissional da minha vida, diz Thelma de Assis sobre trabalho na linha de frente contra Covid em Manaus

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Publicado em: 09/12/2021

A médica e comunicadora Thelma Assis, que ficou conhecida em todo o Brasil ao vencer o reality show Big Brother Brasil em 2020, atuou de forma anônima na linha de frente em Manaus (AM), quando doentes com Covid-19 morriam por asfixia nos hospitais da cidade. A anestesiologista contou que trabalhar em meio à tragédia foi a pior experiência profissional de sua vida. O relato foi feito durante mesa redonda do CoronaVac Symposium, evento online promovido pelo Butantan e pela farmacêutica chinesa Sinovac, nesta quinta (9). 

Antes da fama, Thelminha trabalhava como anestesiologista em três hospitais públicos de São Paulo. Ao ouvir os primeiros relatos da crise em Manaus em janeiro, a médica conhecida como Thelminha se aliou a artistas que doaram cilindros de oxigênio. Justamente por sua atuação como responsável pela sedação de pacientes no centro cirúrgico, ela sabia da gravidade da situação e resolveu fazer algo a mais. 

“O oxigênio é a primeira preocupação quando faço checklist no centro cirúrgico, senão não posso sedar meu paciente. Fiquei desesperada por ver pessoas morrendo dessa forma e pelos profissionais que estavam perdendo pacientes por asfixia. Então resolvi ir para Manaus”, disse.

 

Leitos eram vagos só após óbitos

Thelminha conta que conseguiu uma vaga como médica em um hospital de Manaus, pois naquela altura alguns profissionais já estavam em burn out e a necessidade de reforços era evidente. “Quando eu cheguei lá, me deparei com a pior experiência profissional da minha vida. Tínhamos que esperar liberar um leito para ocupar 50 solicitações, e sabíamos que aquele leito provavelmente ia ser liberado após um óbito”, conta.

Entre os pacientes, a comunicadora se disse impressionada com a quantidade de jovens em estado grave e mortos entre as vítimas da Covid-19. “Lá faltava oxigênio, medicamento, glicose... um exemplo horrível que nesse momento a ciência tem que sentar e criar protocolos para se proteger de tragédias anunciadas como o que aconteceu em Manaus”, concluiu.

O presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, que também participou da mesa redonda, ressaltou que a tragédia de Manaus não serviu de exemplo para a adoção de políticas de combate à Covid-19 no país. “Não houve aprendizado. Já estamos vendo um aumento de casos no Amazonas, mais no interior, de quase 300%”, disse.

Para o médico sanitarista e professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, Gonzalo Vecina, fundador da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a crise de Manaus já era anunciada por causa da falta de estímulo às medidas de contenção do vírus na capital amazonense. 

Participaram também da mesa redonda o jornalista e apresentador Marcelo Tas e a presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza e do Grupo Mulheres do Brasil, Luiza Helena Trajano, que fez uma aparição em vídeo.