Butantan organiza rede para distribuir plasma para o tratamento de pacientes de Covid-19
Publicado em:
07/04/2021
O Instituto Butantan vai organizar e coordenar uma rede para garantir o tratamento de pacientes de Covid-19 a partir da transfusão do plasma de convalescente, produto obtido a partir do sangue coletado de outras pessoas infectadas com o novo coronavírus.
A nova estrutura deverá garantir a logística necessária para coletar, distribuir e utilizar o plasma convalescente nos serviços de saúde do estado de São Paulo. Os pilotos do projeto serão implantados, inicialmente, nas cidades de Santos, no litoral sul, e em Araraquara, no interior.
Para a criação da rede o Butantan contará com a colaboração de grandes hemocentros parceiros: HHemo, Fundação Pró-Sangue, Colsan, Hemocentro da Unicamp e Hemocentro de Ribeirão Preto.
O plasma de convalescente, retirado do sangue de voluntários, contém anticorpos neutralizantes contra o SARS-CoV-2. É obtido por meio de doação de sangue voluntária de pessoas que já foram contaminadas pelo novo coronavírus e que, portanto, já possuem anticorpos.
Segundo o presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, até o momento não há terapia específica contra a Covid-19, mas o tratamento com o plasma tem trazido bons resultados. “O objetivo do plasma é transferir ao paciente anticorpos de maneira passiva, até que o organismo afetado tenha tempo de reagir e montar a sua resposta imune. Trata-se de uma vacina instantânea, uma forma de tratamento que pode ser usada em meio à pandemia.”
As regras para doar o plasma são as mesmas seguidas para doar o sangue: ter boas condições de saúde, ter entre 16 e 69 anos, pesar no mínimo 50 kg, evitar alimentação gordurosa antes da doação e apresentar documento original com foto. É fundamental que o doador já tenha sido contaminado pela Covid-19 anteriormente, pelo menos 30 dias antes do ato da doação.
O plasma de convalescente é indicado para pessoas que estão apresentando sintomas há, no máximo, 72 horas, e que têm diagnóstico confirmado por exames. Os públicos-alvos do tratamento são os imunossuprimidos, idosos e pacientes com comorbidades.
Apenas homens podem se voluntariar para doar o plasma de convalescente. Isso porque, durante a gestação, a mulher libera anticorpos na corrente sanguínea que podem causar uma reação grave chamada TRALI (transfusion-related acute lung injury) no paciente que recebe a transfusão. Por esse motivo, a doação deve ser feita por homens.
Ferramenta virtual
A assistente virtual do Butantan Tainá vai auxiliar na organização da rede, por meio do controle do estoque de plasma, monitoramento dos locais onde o produto será distribuído e de quais pacientes serão contemplados, além do acompanhamento da evolução clínica de cada pessoa que receber o plasma.
A gerente de TI do Butantan, Claudia Anania, explica que é mais uma forma da tecnologia ser usada a favor da saúde. “A Tainá vem sendo utilizada em diversos projetos do Butantan, e agora vai organizar a rede de plasmas para termos controle e segurança de nossas ações em várias cidades do país.”
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