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Vacinação da chikungunya é ampliada para Dourados (MS), Itaporã (MS) e Bady Bassitt (SP)

Os municípios fazem parte da estratégia piloto de distribuição da vacina do Instituto Butantan e da farmacêutica Valneva; outras nove cidades integram a iniciativa


Publicado em: 27/04/2026

Reportagem: Comunicação Butantan
Fotos: José Felipe Batista
 

Nesta segunda (27/4), a população de 18 a 59 anos do município de Dourados (MS) começou a ser imunizada com a vacina da chikungunya, desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica franco-austríaca Valneva. Nos dias 18 e 22/4, os municípios de Itaporã (MS) e Bady Bassitt (SP) também deram início à vacinação. A campanha faz parte de uma estratégia piloto realizada em parceria com o Ministério da Saúde em municípios que registram grande incidência de chikungunya. Em 2025, o Brasil registrou mais de 127 mil casos e 125 óbitos causados pela doença. 

Somados, Dourados, Itaporã e Bady Bassitt apresentaram 539 casos de chikungunya entre 2024 e 2025, conforme dados do Painel de Monitoramento de Arboviroses do Ministério da Saúde. Porém, somente em 2026, em Dourados já foram identificados 2.621 casos e oito mortes, acendendo o alerta das autoridades.

A escolha das cidades para a estratégia piloto se deu a partir de um estudo epidemiológico, que utilizou um modelo matemático para predizer as regiões com maior risco de apresentar surtos de chikungunya entre 2025 e 2027. Além destes três municípios, Mirassol (SP), Sabará (MG), Congonhas (MG), Santa Luzia (MG), Araguari (MG), Uberlândia (MG), Simão Dias (SE), Barra dos Coqueiros (SE) e Lagarto (SE) já começaram a imunizar suas populações.

Podem se vacinar homens e mulheres residentes de Dourados, Itaporã e Bady Bassitt, que tenham entre 18 e 59 anos, e não possuam nenhuma das seguintes contraindicações: ser gestante e/ou lactante; ter reação alérgica a qualquer um dos componentes da vacina; fazer uso de medicamentos imunossupressores; ter imunodeficiência congênita; estar em tratamento com quimioterapia ou radioterapia; ser transplantado de órgão sólido ou de medula óssea há menos de 2 anos; ter alguma doença autoimune; ter uma condição médica mal controlada ou duas ou mais condições médicas crônicas (comorbidades).
 


 

Vacina se mostrou segura e imunogênica

A vacina contra a chikungunya do Butantan e da Valneva foi a primeira do mundo a ser aprovada contra a doença. Ela foi avaliada nos Estados Unidos em 4 mil voluntários de 18 a 65 anos, tendo apresentado um bom perfil de segurança e alta imunogenicidade: 98,9% dos participantes do ensaio clínico produziram anticorpos neutralizantes, com níveis que se mantiveram robustos por ao menos seis meses. Os resultados foram publicados na revista científica The Lancet em junho de 2023. 

O imunizante tem o uso autorizado no Canadá, Reino Unido e Europa e foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em abril de 2025 para uso no Brasil.  

 

 

Sobre a chikungunya

A chikungunya é uma doença viral transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti, o mesmo vetor da dengue e da Zika. Ela pode ser assintomática, ou causar reações como febre alta (39-40°C), dor intensa e inchaço nas articulações, dor de cabeça e manchas vermelhas pelo corpo. A dor crônica nas articulações é sua principal sequela, e pode perdurar por meses ou anos. Em pessoas que possuem outras comorbidades, como hipertensão, diabetes, doenças do coração ou do rim, a chikungunya pode gerar quadros clínicos mais graves, descompensando as enfermidades pré-existentes e podendo levar a óbito.