CoronaVac tem mais de 86% de efetividade na prevenção de mortes por Covid-19 no Chile, diz revista científica


Publicado em: 12/07/2021

Na última quarta (7), uma pesquisa publicada no periódico científico New England Journal of Medicine, um dos mais respeitados do mundo, mostrou que a CoronaVac, vacina contra a Covid-19 desenvolvida pela biofarmacêutica Sinovac e produzida no Brasil pelo Instituto Butantan, teve 86,3% de eficácia na prevenção de mortes pela doença no Chile.

O artigo "Efetividade da vacina CoronaVac com vírus inativo contra SARS-CoV-2 no Chile", já revisado por pares, traz as conclusões da investigação do Ministério da Saúde do país andino sobre as consequências da imunização 14 dias após a segunda dose.  

Os resultados foram obtidos a partir do acompanhamento de aproximadamente 10,2 milhões de chilenos que completaram o esquema vacinal entre 2/2 e 1/5. Entre os completamente imunizados com a CoronaVac, a vacina preveniu em 65,9% os casos de Covid-19, em 87,5% as hospitalizações e em 90,3% as internações em UTI. 

A publicação destaca também a limitação dos clássicos estudos clínicos de fase 3, como critérios de inclusão restritivos e implementação sob condições experimentais que podem não se assemelhar ao impacto palpável da vacinação em um cenário real. 

De acordo com o artigo, estudos como este são essenciais porque refletem os desafios do mundo real, como logística, calendários de vacinação e acompanhamento dos indivíduos. Também envolvem populações mais diversas do que aquelas selecionadas em ensaios clínicos randomizados. 

Estudos de efetividade

Este é o primeiro estudo de efetividade - e não de eficácia - da CoronaVac publicado em uma revista científica. Outro ensaio clínico de efetividade envolvendo a vacina do Butantan foi realizado pelo instituto na cidade de Serrana. 

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Com o Projeto S, a CoronaVac foi o primeiro imunizante a ser testado em uma população inteira: quase 28 mil habitantes adultos do município no interior de São Paulo. Assim, a vacina comprovou sua efetividade além dos ensaios clínicos de eficácia anteriormente realizados. Ao atingir-se uma cobertura vacinal de aproximadamente 75% da população adulta, foi possível controlar a epidemia no local, além de evitar a grande maioria das internações e óbitos por Covid-19 e diminuir a transmissão do vírus.