Sequenciamento de variantes da Covid-19 permite frear pandemia e produzir novas vacinas

Cientistas da Rede de Alerta de Variantes do Butantan explicam importância de fazer sequenciamento de novas cepas


Publicado em: 08/04/2022

O sequenciamento de variantes da Covid-19 é importante para entender o avanço global e localizado de novas linhagens do SARS-CoV-2 e, assim, promover políticas públicas de saúde e ajudar na formulação de novas vacinas e atualização das existentes, de acordo com a aparição de novas cepas. Essa é a opinião de cientistas da Rede de Alerta das Variantes do SARS-CoV-2, coordenada pelo Instituto Butantan, que acompanha a incidência dos casos positivos de Covid-19 e identifica as variantes mais circulantes no estado de São Paulo.

“A nossa melhor ferramenta é ficar de olho no que está acontecendo com o SARS-CoV-2 e observá-lo, já que esse não é um vírus com o comportamento sazonal como o da influenza, que a gente prevê quando vai aparecer. No caso dele, o monitoramento e o sequenciamento genômico permitem que vejamos quando o vírus consegue se propagar ou não”, afirma o bioinformata da Rede de Vigilância Genômica do Instituto Butantan Alex Ranieri.

Mas para que se tenha essa visão do todo, o sequenciamento genômico de variantes do SARS-CoV-2 deve ser feito de forma contínua e, de preferência, com amostras extraídas de vários locais, para trazer um panorama que demonstre a real amplitude da pandemia

“À medida que a gente consegue observar esse material genético evoluindo, se torna mais fácil identificar possíveis novas variantes e emitir de forma mais precisa e rápida um alerta”, diz o bioinformata.

Criação de políticas públicas

As informações dos sequenciamentos agrupadas periodicamente permitem ainda que governos ou outras instâncias de gestão de saúde tomem decisões mais assertivas, de acordo com a incidência de variantes em diferentes locais, explica Gabriela Ribeiro, que também trabalha como bioinformata da Rede de Vigilância Genômica do Instituto Butantan.

“É necessário que o sequenciamento genético seja contínuo e que seja divulgado via boletim, porque ele vai informar sobre as novas variantes e sua incidência em determinadas regiões, o que ajuda o poder público a tomar decisões melhores, mais centradas, onde eles devem intervir. E assim se consegue providenciar uma resposta mais rápida”.

Toda a semana, a rede publica um Boletim Epidemiológico com informações sobre as variantes predominantes nos 17 Departamentos Regionais de Saúde (DRS) do Estado de São Paulo. Os boletins podem ser encontrados na página da rede de alertas.

Potencialização de vacinas

O sequenciamento desses genomas também pode ajudar na formulação de vacinas atualizadas contra Covid-19, de acordo com o surgimento de novas cepas, explica Gabriela.

“Quando se sequencia o vírus, se tem o código genético dele, e os produtores de vacinas podem usá-los para o desenvolvimento de vacinas contra a Covid-19. Tudo isso com base em boletins, que informam sobre o que está circulando e para avaliação se houve ou não escape imune.”

A rede genômica coordenada pelo Instituto Butantan reúne os laboratórios Hemocentro de Ribeirão Preto/FMRP-USP, FZEA-USP/Pirassununga, Centro de Genômica Funcional (ESALQ-USP)/Piracicaba, Faculdade de Ciências Agrônomas – UNESP/Botucatu, FAMERP – São José do Rio Preto, Mendelics, Centro Analítico de Genômica e Proteômica e do próprio Instituto Butantan, com o objetivo de identificar as linhagens do SARS-CoV-2. As nomenclaturas das variantes são definidas de acordo com a Pango (Phylogenetic Assignment of Named Global Outbreak Lineages).

No sequenciamento genômico de 2022 até a 11ª semana epidemiológica (até 19 de março) já foram sequenciados 6.568 (1,7%) genomas completos de 348.207 (49,5%) casos positivos. O número de amostras sequenciadas variou de acordo com a semana epidemiológica, em que a representatividade percentual da 11ª semana epidemiológica/2022 foi de 16,4%.