CoronaVac freou a pandemia no Brasil e no mundo; fim da emergência nacional não altera planos do Butantan

A vacina do Butantan continua sendo recomendada à população de seis a 17 anos, conforme a autorização da Anvisa


Publicado em: 20/04/2022

A CoronaVac, vacina do Butantan e da Sinovac que foi a primeira a ser aprovada para uso no Brasil contra a Covid-19 e salvou milhões de vidas, continua sendo uma prioridade do Butantan e está à disposição do governo federal para ser usada no Programa Nacional de Imunizações (PNI) em todas as faixas etárias. Em paralelo a isso, o Instituto trabalha na obtenção do registro definitivo do imunizante junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e na ampliação da permissão de uso da CoronaVac para a população entre três a cinco anos.

De acordo com a diretora de Qualidade e Assuntos Regulatórios do Butantan, Patrícia Meneguello, a recente decisão do Ministério da Saúde de dar fim à Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional (Espin) não impacta a CoronaVac. “Apesar do pronunciamento, a autorização de uso emergencial está mantida. Para as vacinas não mudou nada e não afeta a CoronaVac”, resume ela. A vacina do Butantan continua sendo recomendada à população de seis a 17 anos, conforme a autorização da Anvisa concedida em janeiro.

De acordo com o imunologista do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP), Gustavo Cabral, não há qualquer impedimento para a CoronaVac continuar sendo usada em todas as idades, tanto no esquema vacinal inicial quanto na dose de reforço. “Cada vacina tem uma característica diferente da outra. A CoronaVac, por exemplo, atende muito bem crianças, idosos, grávidas e imunossuprimidos, entre outras populações. Nada impede que nenhuma vacina disponível hoje no país seja utilizada. Todas têm a sua importância”, aponta ele, que estuda novos imunizantes contra o SARS-CoV-2.

 

Emergência nacional e registro definitivo

Além disso, o registro de uso emergencial da CoronaVac não tem relação com a situação de emergência nacional. O próprio ministério já solicitou à Anvisa a extensão por mais um ano de todas as resoluções da agência reguladora ligadas à pandemia – o que incluiu a autorização de uso emergencial da CoronaVac.

“O registro definitivo vai sair. O Butantan está trabalhando em todas as documentações e análises para que isso aconteça”, garante Patrícia. No início do estudo clínico de fase 3, que provou a eficácia da CoronaVac, o Instituto havia proposto fazer toda a análise dos dados no Brasil, mas isso não foi aceito pela agência reguladora. Foi preciso buscar um laboratório no exterior para executar as análises. Como esse tipo de serviço é extremamente específico, há poucos fornecedores e a pandemia já estava em andamento, o Instituto entrou em uma fila internacional, o que levou ao atraso na solicitação de uso definitivo.

 

Resposta rápida e ágil

É importante ressaltar que o Butantan sempre conseguiu disponibilizar as vacinas na hora em que a população precisava, contribuindo como nenhuma outra indústria farmacêutica, nacional ou internacional, para salvar as vidas dos brasileiros e brasileiras rapidamente. “É preciso salientar o quanto o Butantan tem uma resposta rápida e ágil para disponibilizar vacina assim que a Anvisa aprova. No caso da aprovação de uso emergencial para crianças e adolescentes, no dia seguinte já tinha vacina na rua”, salienta a diretora de Qualidade e Assuntos Regulatórios do Instituto.

Tudo isso contraria informações que vêm sendo veiculadas na imprensa de que a CoronaVac está perdendo espaço. O Butantan, em parceria com a Sinovac, trabalha com o objetivo de exportar a vacina, especialmente para países em desenvolvimento que ainda não vacinaram suas populações. De acordo com a Our World in Data, plataforma digital de dados científicos ligada à Universidade de Oxford, cerca de 15% das populações dos países mais pobres receberam ao menos uma dose de qualquer vacina contra a Covid-19.

Os planos futuros do Butantan para a CoronaVac continuam: há diversos estudos em andamento relacionados à vacina e o Centro de Produção Multipropósito de Vacinas, que produzirá o imunizante, teve sua obra civil entregue há cerca de um mês.