Do Capão Redondo para o Butantan, MC Fioti representa no funk e incentiva vacinação
Publicado em: 15/01/2021

A música “Bum Bum Tan Tan”, que viralizou e se tornou hino da vacina, trouxe o MC Fioti e sua equipe, na última sexta-feira (15), para uma atualização do clipe original. A proposta, que não deixa de ser uma homenagem à corrida do Butantan pela vacina, é dar uma repaginada na música e fazer a letra conversar com o momento atual. A visita também foi motivada pela vontade do artista de fazer um Flash Mob com os colaboradores do Butantan.

A visita começou bem cedo. Antes das dez da manhã, já era possível avistar na recepção algumas pessoas vestidas de camiseta preta com o logo “KondZilla” escrito em branco. Junto aos técnicos, estava Michael Muller Fardin, o produtor do clipe. Ele frisou a importância da ação frente ao atual momento de pandemia dizendo que esse projeto é a maneira mais fácil de chegar na população e que chama muita atenção do público. E reforçou: “Isso, inconscientemente [para a maioria dos fãs], vai ajudar mais pessoas a tomarem a vacina”.

Na sequência, chegou uma van com o restante da equipe, por volta de oito pessoas, incluindo a assessora do MC, Dagmar Alba. A profissional aproveitou a ocasião para compartilhar uma conversa que teve recentemente com o artista, sobre a força que o funk representa hoje. Segundo ela, o movimento chegou num outro patamar e por isso deve ser valorizado. Ainda afirmou: “O funk vai mostrar que a vacina é importante”.

Todos os envolvidos pareciam muito animados com a oportunidade que a experiência trouxe e, para a maioria deles, essa foi a primeira vez que pisaram no Butantan. Raul Fernando, assistente de produção, disse que mora há mais de 30 anos em São Paulo e nunca veio ao Instituto. Em suas palavras “esse dia foi, sem dúvida, um momento histórico e gratificante demais”.

Fioti no Butantan

 

É hora do Flash Mob

Durante o caminho, enquanto conheciam as dependências do Instituto, alguns pegavam seus celulares e tiravam fotos para registrar esse marco que reúne ciência e funk. O início do encontro foi voltado ao planejamento e orientações, bem como trocas de ideias – o que garantiu que a produção conhecesse bem o terraço e ficasse à vontade no ambiente de gravação.

Para a realização do Flash Mob, o Instituto Butantan convocou alguns dos colaboradores, que ficaram a postos para comemorar a ação e dançar ao som do “Bum Bum Tan Tan”. Para a ação, estavam presentes funcionários das áreas de Compras, TI, Engenharia, Comunicação e outros departamentos. O evento contou ainda com a presença do Dr. Dimas Covas, que reforçou com a galera a necessidade do distanciamento.

Finalmente, o MC foi recebido por um terraço repleto de novos – mas calorosos – fãs e pessoas com brilhos nos olhos. E embora as máscaras escondessem os sorrisos, os olhares não faziam outra coisa que não sorrir. Enquanto os colaboradores se organizavam e pensavam nas coreografias, Suzi Alcântara, funcionária do Laboratório de Bacteriologia, declarou ser fã do Fioti e disse que dança muito as suas músicas: “é o mundo que eu vivo fora do Butantan”, anunciou feliz. Outra colaboradora, Natasha Cabral, da área de Compras, curtiu a ação e diz ter sido uma quebra na rotina. Não demorou muito, o produtor soltou o alerta: “Podemos?”.

 

O funk como esperança e incentivo à Ciência

O Flash Mob trouxe ao Butantan uma sexta-feira diferente, mas que marcou a carreira do artista, assim como a história da vacina brasileira.

Em entrevista, MC Fioti falou com seriedade sobre como esse casamento entre a ciência e o funk vai refletir na opinião de seu público. “De maneira diferente, porque o funk é muito importante para nossa comunidade e muda muito a vida de jovens na periferia. Essa junção da ciência com o funk vai fazer a molecada se conscientizar e tomar a vacina. Isso vai ser muito importante e vai ter um impacto grande”.

O funk, como o forte movimento cultural que é – sendo, muitas vezes, um dos únicos recursos de entretenimento oferecido nas favelas e periferias – alcança lugares e pessoas com uma estratégia simples e cativante. Exatamente por essa razão, pode ser mais um movimento parceiro na divulgação da importância da vacina contra a Covid-19.

“Para mim vai ser mais uma posição de revolução, porque quando lançamos a versão original da Bum Bum Tan Tan, ela revolucionou nosso mercado. A gente recebe muitas críticas, porque é um movimento 100% da periferia, as pessoas acham que é coisa de bandido, de marginal. Estamos provando mais uma vez que nosso funk tem poder e que quebra qualquer tipo de barreira que colocarem na nossa frente”, avaliou o artista.

O funk chegou ao Butantan e se apresentou para a área da Saúde em 2021. Seja num meme de internet, numa música ou numa declaração de um artista que representa milhares de jovens que buscam melhores condições de vida, a Saúde agora conta com mais um parceiro na luta pela imunização e segurança dos cidadãos.

“Com esse projeto, a gente consegue se aproximar do público. E o funk é tão brasileiro. É um dos principais movimentos capazes de levar isso pra fora, difundindo a verdade sobre a vacina e a parte importante, que é o que o Butantan faz”, ressalta a colaboradora Hosana Evagelista, da área de TI, durante participação no Flash Mob. Já no ponto de vista de Ana Carolina Cabral, da Assessoria Técnica, essa união entre MC Fioti e Butantan vai combater fake news sobre a Coronavac.

A social media do Grupo Records, Danielly Santos, que esteve presente durante todo o momento, ressaltou: “Estamos quebrando barreiras hoje, estou muito orgulhosa”. E o MC Fioti, que nunca tinha vindo ao Butantan, revelou entre risos: “Eu ainda não caí na real, nem acredito que a gente tá aqui. Isso aqui vai ficar na minha história e na história do funk. O pessoal vai falar ‘mentira, eles não fizeram isso’. Fizemos!".

O clipe, de acordo com Dagmar, sai ainda esta semana. 

Fioti Biblioteca Butantan