Estudo do Butantan mostra que Alzheimer é fator de risco em pacientes internados com SARS-CoV-2
Publicado em: 23/09/2021

Um estudo sobre o mal de Alzheimer, feito por pesquisadores do Instituto Butantan, da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e publicado na revista Alzheimer’s & Dementia: The Journal of the Alzheimer's Association, chegou à conclusão de que a doença é um fator de risco para quem contrai a Covid-19, independentemente da idade. 

A pesquisa, realizada pela doutora em bioquímica e pesquisadora do Laboratório de Parasitologia, Ana Tahira, pelo doutor em biofísica e pesquisador do Laboratório Especial de Zoonoses e Endemias Parasitárias, Sérgio Verjovski, e pelo doutor em biofísica e professor da UFRJ, Sérgio Ferreira, foi feita entre 16 de março e 24 de agosto de 2020 com 12.863 indivíduos maiores de 65 anos pertencentes ao UK Biobank, um banco de dados clínicos de cerca de 500 mil pacientes acompanhados desde 2006 pelo sistema público de saúde do Reino Unido. É o primeiro estudo baseado em dados que indica que pacientes com doenças neurodegenerativas têm mais risco de morte por conta da Covid-19.

Os pesquisadores dividiram os participantes em três grupos, de 66 a 74 anos (6.182 pessoas), 75 a 79 anos (4.867 pessoas) e acima de 80 anos (1.814 pessoas). Depois de realizados todos os testes, um total de 1.167 pessoas estavam com Covid-19 e 11.696 apresentaram indicadores negativos. Em todos os três grupos, os indivíduos com Alzheimer e Parkinson eram em média mais velhos que os que não tinham essas doenças.

O Alzheimer não aumentou o risco de internações ao ser comparado com outras comorbidades. Mas quando um paciente era hospitalizado e já tinha a doença, o risco de desenvolver um quadro mais grave por conta do SARS-CoV-2 foi três vezes maior na comparação com quem não tinha a demência, e ainda seis vezes maior se o paciente tivesse mais de 80 anos. 

Quando o SARS-CoV-2 infecta o organismo, o corpo responde com um processo inflamatório para combater o vírus. Mas quando ocorre a chamada tempestade de citocina (momento de grande liberação de moléculas do processo inflamatório), essa resposta inflamatória se torna exagerada e sai de controle. Como os pacientes de Alzheimer já tem um quadro de inflamação cerebral, a tempestade de citocina é pior para eles.

Uma pesquisa publicada na mesma revista sugere que a infecção pelo SARS-CoV-2 pode aumentar o risco de demências, categoria na qual se encaixa o Alzheimer. As sequelas da Covid-19 causam perda cognitiva e de memória, sintomas vistos na doença neurodegenerativa. 

O Alzheimer é um transtorno neurodegenerativo progressivo que se manifesta por deterioração cognitiva e de memória, comprometendo as atividades de vida diária e provocando alterações comportamentais. Mais de 45 milhões de pessoas são impactadas pelo Alzheimer no mundo e mais de 1,2 milhão no Brasil. A doença afeta cerca de 30% da população com mais de 85 anos, segundo dados do Ministério da Saúde. 

 

Entidades médicas e governos consideram o dia 21 de setembro o Dia Mundial da Doença de Alzheimer.