O caminho de um teste diagnóstico de Covid-19 - da coleta da amostra até a divulgação do laudo
Publicado em: 07/06/2021

Uma das ferramentas essenciais no combate à Covid-19, especialmente no tratamento de pacientes infectados, é saber, no menor tempo possível, se o diagnóstico de um caso suspeito é positivo ou negativo. No estado de São Paulo, esse trabalho tão importante é realizado por meio da Rede de Laboratórios para Diagnóstico do Coronavírus SARS-CoV-2, uma rede gerida pelo Instituto Butantan e formada por 28 laboratórios públicos e um laboratório privado que atuam de forma colaborativa e organizada para entregar, em até 72h, os laudos aos pacientes o quanto antes.

O processo começa na coleta da amostra. Quando um paciente com sintomas de Covid-19 vai a um posto de saúde, são recolhidas amostras virais do nariz e da garganta para saber se ele está positivo ou não para o novo coronavírus. Esses materiais de postos do estado inteiro são lançados no sistema de Gerenciamento de Análises Laboratoriais (GAL), uma plataforma unificada do Ministério da Saúde, e direcionados para uma das 13 unidades regionais do Instituto Adolfo Lutz.

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A coordenação do Butantan na rede inicia depois que a amostra é coletada. "Após o preparo da coleta, chegamos a um ponto de decisão: o laboratório deve processar a amostra ou enviar para algum lugar da rede de apoio? Isso é decidido pelo Butantan", ressalta Alexandre Rodrigues Xavier, diretor de qualidade corporativa do Butantan. A tomada de decisão leva em conta critérios como o volume de testes que cada laboratório tem para processar (se está com capacidade ociosa e tem os materiais necessários, por exemplo), a logística de transporte para levar a amostra e o prazo.

A rede é formada pelas 13 unidades regionais do Lutz e mais 16 laboratórios, sendo dois deles no Butantan. “O Butantan controla tudo isso. Nós estabelecemos a rede, gerimos a rede e, além disso, fazemos os exames nos nossos laboratórios”, explica a vice-diretora do Centro de Desenvolvimento Científico (CDC) do Instituto Butantan, Maria Carolina Sabagga.

Nos laboratórios do Butantan, a meta entre a entrada e a saída dos laudos é de 24h, podendo variar de acordo com a localidade de onde parte a amostra. Já nos outros laboratórios, o tempo deve ficar entre dois e três dias para a liberação. Diferentemente de outros exames, o RT-PCR precisa que um técnico leia o teste e avalie se ele foi feito adequadamente. Por isso, é necessário que haja uma equipe grande e bem treinada para assinar os laudos.

Se há envio para o instituto, uma equipe que recepciona a caixa com as amostras, dá início aos trâmites administrativos e envia a amostra ao laboratório para processar. O tempo de liberação do laudo começa a contar a partir da chegada. Tanto se o teste for realizado em um dos dois laboratórios do Butantan quanto se for feito em um dos laboratórios da rede, é obrigatório inserir as informações no GAL. Depois de concluída a análise, o laudo é liberado.

"Com as informações oficiais do GAL, nós conseguimos olhar diariamente o que está acontecendo dentro dos laboratórios", diz Alexandre. É a partir disso que se avalia se há necessidade de ajuste. "Se alguém estiver fora da meta de prazo, vamos atuar junto a esses laboratórios que não estão performando adequadamente para resolver o problema. É uma decisão multifatorial", completa.

Para manter a operação, a equipe do Butantan realiza reuniões diárias, todas as manhãs, para discutir o que deve ser feito naquele dia, quais decisões devem ser tomadas, como será a logística das amostras recebidas. O trabalho nunca para na Rede de Diagnósticos. “Nós montamos uma engrenagem dentro do Instituto Butantan, com os outros colaboradores, que são extremamente profissionais e que abraçaram a causa. Sabemos que estamos fazendo isso por um bem maior. Muitas vezes, na reunião, a gente fala em 17 mil, 18 mil, 20 mil testes e alguém lembra que são 17 mil pessoas, são 18 mil famílias esperando esse laudo. Não são só números”, resume Maria Carolina.

Além de todos os testes moleculares, foi montada a Unidade de Sorologia, com duas plataformas para análise de quimiluminescência (emissão de luz em consequência de uma reação química): Roche e DiaSorin. As plataformas começaram a funcionar em agosto de 2020 e já analisaram cerca de 60 mil testes de sorologia para detecção de anticorpos contra proteínas do novo coronavírus. Com essa competência, a Unidade de Sorologia participou das análises sorológicas do Projeto Serrana, Ensaio Clínico de Implementação Escalonada por Conglomerados (Stepped-Wedge), e também das análises da Diretoria dos Ensaios Clínicos.

Os laboratórios do Butantan

Nos dois laboratórios do Butantan dedicados a realizar diagnósticos de Covid-19 (P33 e P54), as amostras são recebidas, rastreadas, catalogadas e registradas no GAL. "Começamos com um desafio muito grande de estruturar um laboratório de diagnóstico dentro do Instituto Butantan para fazer 500 amostras por dia. Achamos que se chegássemos nisso seria muito bacana. Isso foi crescendo, crescendo e faz parte de uma rede que o Butantan consegue coordenar por inteiro", conta Maria Carolina Sabagga. Hoje, o Instituto realiza cerca de 5 mil testes por dia.

Para que tudo isso aconteça, há muitas pessoas engajadas na causa. "Conseguimos trabalhar com um corpo técnico formado por pessoas que foram estudantes do próprio instituto. São pessoas do mestrado e do doutorado trabalhando na bancada. Existe uma emergência e elas conseguiram corresponder de uma maneira bárbara. São alunos da casa, que fizeram carreira acadêmica, e agora estão aplicando esses conhecimentos como funcionários, em benefício da vida", conta a diretora do CDC, Sandra Coccuzzo.