CoronaVac confere proteção acima de 96% contra Covid-19, independente do intervalo entre doses, diz estudo chileno

Pesquisa comparou dois esquemas de vacinação, de 14 e 28 dias, e ambos apresentaram alta efetividade e segurança


Publicado em: 08/04/2022

Um estudo de mundo real realizado no Chile mostrou que a CoronaVac é segura e tem uma efetividade acima de 96% para prevenir Covid-19 em adultos, especialmente naqueles acima de 60 anos. Em mais de duas mil pessoas, apenas dois indivíduos infectados pelo SARS-CoV-2 precisaram ser hospitalizados, e ambos se recuperaram. Publicado no dia 28/3 na plataforma de preprints MedRxiv, o artigo foi conduzido por dezenas de pesquisadores em oito universidades, centros de pesquisa e hospitais chilenos.

O trabalho dividiu 2.302 voluntários em dois grupos para comparar a segurança e a eficácia de dois esquemas de imunização com a CoronaVac, sendo a segunda dose administrada 14 ou 28 dias após a primeira dose (0-14 ou 0-28). Entre todos os indivíduos, foram relatados apenas 58 casos de Covid-19 após a vacinação, em sua maioria leves – 34 no grupo 0-14 e 24 no grupo 0-28. Os dois intervalos apresentaram alta proteção contra Covid-19: 96,7% e 97,9%, respectivamente.

Apenas dois participantes precisaram ser hospitalizados, ambos homens acima de 60 anos, com sobrepeso e outras comorbidades, como hipertensão e hipotireoidismo. Eles também se recuperaram e passam bem.

A pesquisa também demonstrou a segurança da vacina nos dois esquemas vacinais. O efeito adverso mais comum foi dor no local da injeção, sendo menos frequente em participantes com idade igual ou superior a 60 anos. Já os efeitos sistêmicos mais relatados foram dor de cabeça, fadiga e dor muscular. A maioria das reações foi leve e não houve diferenças significativas entre os dois esquemas de vacinação.

De acordo com os autores, os resultados mostram que ambos os esquemas de imunização da CoronaVac são eficazes na proteção contra o SARS-CoV-2. “Os dados também indicam que a CoronaVac não induz eventos adversos graves em nenhum dos esquemas, e os eventos adversos registrados são leves e transitórios, confirmando a segurança desta vacina”.

 

*Este texto é uma colaboração do jornalista científico Peter Moon para o portal do Butantan