CoronaVac produz anticorpos contra Covid-19 em 87% dos vacinados com duas doses na Indonésia
Publicado em: 30/11/2021

A CoronaVac, vacina do Butantan e da farmacêutica chinesa Sinovac contra a Covid-19, produziu anticorpos contra o SARS-CoV-2 em 87,15% dos imunizados pelo menos 28 dias após a segunda dose, segundo estudo realizado com milhares de pessoas na Indonésia.

Esse é o resultado do estudo clínico de fase 3 feito por cientistas da Faculdade de Medicina da Universitas Padjadjaran, em Bandung, e pelo Ministério da Saúde da Indonésia publicado em maio deste ano e revisado em setembro.

O ensaio clínico, randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, foi realizado em um total de 1.620 adultos saudáveis com idades entre 18 e 59 anos, divididos aleatoriamente entre os que receberam as duas doses ou placebo, entre os meses de agosto, setembro e outubro de 2020.

Entre os que receberam as duas doses, a eficácia da CoronaVac foi de 65,30%, uma alta eficácia que segue o padrão demonstrado em estudos realizados com a vacina em outros países, como Turquia, Chile e Brasil.

 

CoronaVac evitou casos graves e mortes 

 

Durante o período de vigilância do estudo, houve 49 casos de Covid-19 entre os voluntários. Destes, sete imunizados e 18 casos no grupo placebo foram sintomáticos e ocorreram entre um período de 14 dias a três meses após a segunda dose. Não houve relato de casos graves, críticos ou óbitos por Covid-19 entre os voluntários do estudo.

Para a avaliação de segurança, os eventos adversos solicitados e não solicitados foram coletados após a primeira e segunda vacinação em 14 e 28 dias, respectivamente. Amostras de sangue foram coletadas para um ensaio de anticorpos antes e 14 dias após a segunda dose.

A maioria das reações adversas foram classificadas como leves e a mais relatada foi dor no local da injeção. 

Dos 1.620 participantes, 1.046 eram do sexo masculino (64,57%) e 574 do sexo feminino (35,43%). 

 

Eficácia da CoronaVac no mundo 

 

Turquia

Um estudo da Universidade Hacettepe, com sede em Ancara, mostrou que a CoronaVac é 83,5% eficaz contra o SARS-CoV-2, além de ser segura e bem tolerada pelo organismo. A pesquisa foi publicada em julho na revista científica The Lancet e também na Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, a maior biblioteca médica do mundo.

Além disso, a CoronaVac induziu anticorpos em 89,7% dos participantes. Destes, 92% também produziram níveis protetores de anticorpos neutralizantes pelo menos 14 dias após a segunda dose da vacina.

A CoronaVac preveniu hospitalizações em todos os voluntários, na comparação com os seis do grupo placebo. Não houve mortes nem no grupo que tomou a vacina e nem no grupo placebo.

O estudo de fase 3, randomizado e duplo-cego, contou com a participação de 10.218 pessoas e foi feito entre 14 de setembro de 2020 e 5 de janeiro de 2021. Os voluntários foram avaliados sete, 14 e 28 dias depois de tomar cada uma das duas doses. 

Durante o acompanhamento médio de 43 dias, nove casos sintomáticos de Covid-19 foram confirmados no grupo que tomou a vacina e 32 casos foram relatados no grupo que tomou placebo. 

Chile

A pesquisa realizada no Chile mostrou que a proteção da CoronaVac foi de 65,9% contra infecções por Covid-19, de 87,5% contra hospitalizações, de 90,3% contra internações em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) e de 86,3% contra mortes. Um artigo com os dados do estudo foi publicado no The New England Journal of Medicine em setembro deste ano

Para o grupo totalmente vacinado acima de 60 anos, a efetividade da vacina foi de 66,6% para a proteção contra infecções, de 85,3% contra hospitalizações, de 89,2% contra internações na UTI e de 86,5% para a prevenção de morte relacionada à doença.

A análise foi feita entre fevereiro e maio deste ano com cerca de 10,2 milhões de pessoas. O estudo de coorte (estudo observacional que acompanha indivíduos ao longo de um período de tempo para determinar características e evolução do grupo) contou com participantes acima dos 16 anos cadastrados no Fundo Nacional de Saúde (FONASA), programa nacional de saúde chileno, que cobre cerca de 80% da população.

Brasil

No Brasil, o estudo clínico de fase 3 realizado com a CoronaVac com mais de 12 mil profissionais de saúde em 2020 apontou que a capacidade do imunizante tem de proteger em casos leves, moderados ou graves pode chegar a 62,3% se o espaço entre as duas doses for entre 21 e 28 dias.

Um artigo científico encaminhado por cientistas do Butantan em abril para a revista científica The Lancet mostrou que a eficácia da CoronaVac para casos sintomáticos atingiu 50,7% com 14 dias de intervalo entre as duas doses. Para os casos moderados e graves, que necessitam de assistência médica, a eficácia da vacina foi superior a 83,7%. Isso significa que a CoronaVac tem a capacidade de reduzir a maioria dos casos que exigem algum cuidado médico.

O estudo foi conduzido entre 21 de julho e 16 de dezembro de 2020. Foram 12.396 voluntários em 16 centros de pesquisa brasileiros, e todos receberam ao menos uma dose da vacina ou placebo. No total, 9.823 participantes receberam as duas doses. Não houve óbitos por Covid-19 durante os testes.

Outro estudo de efetividade da CoronaVac foi realizado pelo Butantan no município paulista de Serrana. O chamado Projeto S vacinou quase toda a população adulta do município (28 mil pessoas) entre fevereiro e abril de 2021 e concluiu que o imunizante causou uma redução de 80% no número de casos sintomáticos de Covid-19, de 86% nas internações e de 95% nos óbitos.