CoronaVac demonstra alta eficácia contra internações e mortes em idosos, segundo estudo publicado no British Medical Journal


Publicado em: 30/12/2021

A CoronaVac, vacina do Butantan e da farmacêutica chinesa Sinovac contra a Covid-19, tem alta eficácia na prevenção contra a variante gama (P.1, amazônica) do vírus SARS-CoV-2 em idosos com mais de 70 anos, segundo estudo publicado na revista científica British Medical Journal.

Em 2021, a gama foi a variante mais incidente em São Paulo, correspondente a 52% das cepas circulantes no estado, seguida da delta (41,87%) e P.1.7 (2,72%), segundo o boletim epidemiológico da Rede de Alerta das Variantes do SARS-CoV-2, iniciativa liderada pelo Instituto Butantan e que realiza o sequenciamento genômico de resultados diagnósticos positivos para Covid-19.

O artigo Effectiveness of the CoronaVac vaccine in older adults during a gamma variant associated epidemic of covid-19 in Brazil: test negative case-control study apontou que a eficácia da vacina contra hospitalizações 14 dias após a aplicação da segunda dose foi de 59%, e contra mortes, de 71,4%.

Entre pessoas com idade de 70 a 74 anos, a eficácia foi maior, de 61,8% contra a doença sintomática, de 80,1% contra hospitalizações e de 86% contra mortes. O estudo foi primeiramente publicado na plataforma de preprints MedRxiv em julho.

“Ficou evidenciado que um esquema de duas doses de CoronaVac foi eficaz na prevenção de casos sintomáticos de Covid-19 e na prevenção de desfechos clínicos mais graves entre idosos frente à variante gama”, afirmam os autores no artigo.

Pesquisadores da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), da Universidade de São Paulo e de universidades norte-americanas da Flórida e de Yale, entre outras instituições, investigaram 43.774 adultos com 70 anos ou mais, residentes no estado de São Paulo, todos sintomáticos para Covid-19.

O objetivo da pesquisa era estimar a eficácia da CoronaVac contra a Covid-19 sintomática em idosos do estado de São Paulo durante a ampla circulação da variante gama, entre janeiro e abril.

Os autores concluem que, embora outras pesquisas ainda possam contribuir para reafirmar a eficácia do CoronaVac contra a variante gama, os resultados fornecem evidências que suportam o uso da vacina no Brasil e nos demais países da América do Sul.