Sinovac finaliza testes pré-clínicos de versão da CoronaVac contra a ômicron e inicia ensaios clínicos em três países

Instituto Butantan deve começar em abril os estudos sobre a aplicação do imunizante em pessoas no território brasileiro


Publicado em: 15/03/2022

O CEO da Sinovac, Yin Weidong, anunciou em entrevista exclusiva ao portal chinês Global Times que já foram concluídos os testes pré-clínicos da versão atualizada da CoronaVac contra a variante ômicron do SARS-CoV-2, e que os ensaios clínicos estão em andamento na China, em Hong Kong e no Chile. No Brasil, os testes clínicos devem começar em abril pelo Instituto Butantan.

Segundo Yin, as altas diárias de infecções pela ômicron em todo o mundo confirmam a redução da eficácia das atuais vacinas contra essa cepa e a necessidade de ter um imunizante atualizado. "A CoronaVac contra a variante ômicron sofreu poucas mudanças no processo de fabricação e complexidade, tendo apenas a substituição da cepa original do vírus pela nova variante. A eficácia da vacina reconfigurada ainda está sendo avaliada", afirmou.

Ele alertou que a vacinação com a CoronaVac original ainda é muito importante antes que a nova versão esteja disponível. Recentemente, um estudo clínico de fase 3 conduzido no Chile mostrou que três doses do imunizante atual protegem contra a ômicron, aumentando significativamente a resposta de células T e a quantidade de anticorpos neutralizantes capazes de reconhecer a variante.

 

Imunização de crianças é prioridade

A vacinação infantil é uma das maiores preocupações no momento e a distribuição da CoronaVac para esse público está sendo priorizada, informa Yin. Hoje, sete países já aplicam o imunizante em crianças acima de três anos. Atualmente, a Sinovac está conduzindo ensaios clínicos de fase 3 com mais de 10 mil crianças a partir de seis meses de idade na África do Sul, Malásia, Filipinas e Chile. Resultados iniciais apontaram que a vacina é segura para essa faixa etária.

No Brasil, o imunizante é aprovado para maiores de seis anos. O Butantan encaminhou, na última semana, um pedido à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para ampliar a autorização de uso para crianças a partir dos três, com base em dados do Chile que comprovam a sua segurança e eficácia em mais de dois milhões de crianças. Desde o início da pandemia, mais de 20 mil brasileiros menores de cinco anos foram hospitalizados e mais de 1.300 morreram devido à Covid-19. 

 

*Este texto é uma colaboração do jornalista científico Peter Moon para o portal do Butantan