Reportagem: Camila Neumam
Fotos: Arquivo Plataforma Zebrafish e Comunicação Butantan
O Instituto Butantan sediou entre os dias 25 e 29 de maio o Simpósio Virtual Zebrafish no Brasil, um marco para a consolidação da rede científica dedicada ao estudo do peixe paulistinha (Danio rerio) no país.
O evento, que nasceu de um sonho de fortalecer a colaboração entre pesquisadores que estudam o zebrafish, superou as expectativas ao reunir 1.102 inscritos de 20 universidades brasileiras e de mais nove países – quatro cientistas da Colômbia; dois de Portugal; um do Peru; um do Chile; um da Argentina; um do Paraguai; um de Angola; um de El Salvador; e um da Nigéria.
O simpósio organizado pela Plataforma Zebrafish, pela Escola Superior do Instituto Butantan (ESIB) e pelo Centro de Desenvolvimento Científico (CDC) promoveu nove mesas redondas conduzidas por pesquisadores, além de apresentações orais de cinco trabalhos de iniciação científica, cinco de mestrado, cinco de doutorado e cinco de pós-doutorado.
Os mais bem avaliados por bancas examinadoras receberam um prêmio de R$ 1.500 cada.

Equipe da Plataforma Zebrafish, organizadora do simpósio, em conjunto com a ESIB e o CDC
“Ver esse projeto que nasceu como uma ideia, de um sonho de nos encontrarmos e de fortalecer a nossa rede, se transformar em realidade é algo vibrante, é algo indescritível”, afirmou a pesquisadora científica do Laboratório de Toxinologia Aplicada do Instituto Butantan (LETA), idealizadora e coordenadora da Plataforma Zebrafish, Mônica Lopes-Ferreira.
Segundo a pesquisadora científica, o sucesso do evento reflete o crescimento da área no Brasil: “Hoje nós somos uma comunidade gigante, um cardume gigantesco, todos gregários, todos juntos, representados aqui por mais de mil inscritos”, disse.
Mônica enfatizou ainda o papel fundamental do Instituto Butantan como “solo fértil” para a ciência brasileira. “O interesse por eventos como esse é o que move a engrenagem da ciência, é o que valida a importância do nosso modelo animal”, completou.
A Plataforma Zebrafish do Instituto Butantan é uma iniciativa que utiliza o Danio rerio em pesquisas do setor de neurociência, farmacologia, toxicologia e biomedicina. Localizado no LETA, o espaço é aberto ao público mediante agendamento e tem como um de seus pilares a divulgação científica para o público leigo, com foco em crianças e adolescentes.

Durante a abertura do evento, a diretora do CDC, Sandra Coccuzzo, ressaltou a importância do zebrafish como uma das ferramentas mais modernas da ciência biomédica contemporânea. Para ela, o simpósio simboliza a construção de uma rede científica nacional comprometida com a inovação.
“Sua aplicação atravessa áreas estratégicas como a toxicologia, imunologia, neurociência, farmacologia, biotecnologia, desenvolvimento de fármacos, vigilância ambiental e métodos alternativos em experimentação animal”, explicou.
Para a diretora do CDC, o modelo animal serve como uma “ponte entre a ciência fundamental e a geração de soluções concretas para desafios reais da sociedade”.
O vice-diretor do Instituto Butantan e coordenador da ESIB, Rui Curi, destacou a agilidade que o modelo zebrafish proporciona ao desenvolvimento científico e tecnológico. “É uma plataforma que é essencial, porque permite que respostas sejam obtidas muito rapidamente, com mais eficiência às demandas que sempre recebemos de várias instituições, inclusive de órgãos reguladores”, pontuou.
Rui Curi também elogiou o trabalho integrado da rede brasileira e a liderança de Mônica Lopes-Ferreira na condução do evento.
“Essa forma conjunta e integrada de trabalhar é o que realmente faz avançar o conhecimento. Sentimos muito orgulho de ter você com essa paixão enorme pelo Zebrafish e que contagia os colegas”, ressaltou.

O simpósio contou com uma agenda abrangente que cobriu desde aspectos fundamentais da pesquisa até o empreendedorismo com o uso do zebrafish. Tamanha variedade de assuntos atraiu inscrições de todas as regiões do país: 474 do Sudeste; 269 do Nordeste; 221 do Sul; 67 do Centro-oeste e 58 do Norte do país – uma média de 400 participantes por sala de apresentação.
Na segunda (25/5), as discussões envolveram temas de toxicologia experimental e regulatória e apresentações de trabalhos de iniciação científica; na terça (26/5) a investigação de doenças e inovação tecnológica e apresentações de mestrado; na quarta (27/5) as discussões foram acerca de fármacos e imunobiologia e apresentações de doutorado; na quinta (28/5) sobre neurociência e genética com apresentação de trabalhos de pós-doutorado; e na sexta (29/5) as apresentações focaram nos temas de empreendedorismo e inovação e na premiação dos melhores trabalhos apresentados no evento.
As apresentações orais que concorreram ao prêmio foram avaliadas por bancas específicas de especialistas, majoritariamente composta por professores que também participaram do evento como palestrantes.
Na categoria iniciação científica, o estudo Indução e tratamento de retinopatia diabética em modelo Zebrafish adulto utilizando terapias naturais à base de Calophyllum Brasiliense Cambess do aluno Alessandro Soares Rodrigues, da Universidade Federal do Amapá (UNIFAP), foi o vencedor.
Na categoria mestrado, o primeiro lugar ficou com o estudo Macrófagos CAR anti-HER2 modulam o microambiente tumoral em modelo de xenotransplante de SKOV‐3 em Zebrafish de Lucas Brito de Souza Santos, da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Na categoria doutorado, a aluna Rebeca Bosso dos Santos Luz, da UFPR, foi a vencedora com o estudo Análise da função da ceramidase ácida no contexto de regeneração cardíaca do zebrafish.
Na categoria pós-doutorado, o vencedor foi William Franco Carneiro, da Universidade Federal de Lavras (UFLA), com o estudo Modulação transcriptômica de vias inflamatórias e da resposta antioxidante em larvas de Zebrafish expostas ao extrato hidroetanólico de Stachytarpheta sellowiana Schauer.
Além da coordenação de Mônica Lopes-Ferreira, a comissão organizadora do simpósio foi composta pela coordenadora-adjunta da Plataforma Zebrafish do Instituto Butantan, Carla Lima, e pelos pesquisadores da Plataforma Zebrafish Geonildo Rodrigo Disner, Darlan Gusso, Felipe Justiniano Pinto, Larissa Alessandra Bafoni, Julia Iwanichen, Manuela Jacobina de Sá, Aline Ingrid Andrade De Barros e Viviane Tomazia da Cunha Ferreira.



