CoronaVac é 85% efetiva contra a forma grave da Covid-19 em gestantes, mostra estudo

Feita com o vírus inativado, vacina é a mais segura para as grávidas e protege contra 41% dos casos sintomáticos


Publicado em: 25/04/2022

Um estudo realizado com quase 20 mil gestantes brasileiras imunizadas com a CoronaVac, vacina do Butantan e da Sinovac, comprovou mais uma vez a eficácia do imunizante em evitar casos graves e hospitalizações por Covid-19 nesse público. Publicado na revista científica BMC Medicine, o trabalho foi conduzido por pesquisadores da London School of Hygiene and Tropical Medicine, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e outras universidades brasileiras. Os resultados foram divulgados anteriormente em formato preprint e foram publicados em 5/4 após revisão por pares.

No período do estudo, entre março e outubro de 2021, 50,8 mil gestantes brasileiras passaram por testagem de Covid-19, com resultados positivos e negativos – destas, 19,8 mil haviam tomado a vacina do Butantan. A pesquisa apontou que 62,6% das gestantes vacinadas com CoronaVac não desenvolveram Covid-19 e, das 37,4% que foram infectadas, apenas 7,9% tiveram a forma grave da doença.

De acordo com os cientistas, os resultados demonstram que a CoronaVac em gestantes possui uma efetividade de 41% contra casos sintomáticos e de 85% contra a Covid-19 grave. “Nenhuma morte ocorreu entre as mulheres vacinadas com a CoronaVac”, destacam no artigo.

Além disso, apenas 83% das participantes haviam tomado o esquema completo de duas doses; uma única dose não foi suficiente para prevenir casos sintomáticos. Isso reforça a importância de completar o esquema vacinal para obter uma proteção elevada contra o SARS-CoV-2, lembrando que a dose de reforço também é recomendada para grávidas e puérperas.

 

Vacinas de vírus inativado são mais seguras para gestantes

A CoronaVac é produzida com a tecnologia de vírus inativado, uma das mais conhecidas e aplicadas no mundo todo, e por isso é considerada a vacina mais segura para gestantes, com raros e leves efeitos adversos. Por conter o coronavírus inativado, ela não é capaz de causar a doença – diferente de vacinas de vírus atenuado, por exemplo. Os imunizantes de vírus inativado também são os mais seguros e indicados para outros grupos de risco, como os imunossuprimidos.

 

*Este texto é uma colaboração do jornalista científico Peter Moon para o portal do Butantan