Nos últimos meses, um número crescente de países da Europa, América e Ásia passou a fornecer uma terceira dose ou dose de reforço da vacina contra a Covid-19, principalmente para idosos e grupos de risco. O aparecimento de novas variantes do SARS-CoV-2, principalmente a delta (B.1.617.2, indiana), mais transmissível, e a preocupação em aumentar a imunidade do organismo contra o vírus foram os principais motivos para essa decisão.
No Brasil, o Ministério da Saúde iniciou a aplicação de uma dose de reforço para as populações maiores de 70 anos e imunossuprimidas que completaram o esquema vacinal há mais de seis meses, e já aprovou a inclusão dos profissionais da saúde nesse público. Estudos apontam que uma dose de reforço de CoronaVac, vacina do Butantan, seis meses após a segunda dose gera forte resposta imunológica e eleva em 17 vezes os anticorpos neutralizantes capazes de combater a variante delta.
A dose de reforço é uma medida que independe da tecnologia da vacina. Países que investiram massivamente em vacinas de RNA mensageiro e de vetor viral não replicante, assim como os que utilizaram vacinas de vírus inativado (como a CoronaVac) enfrentam todos a mesma situação. Alguns estão investindo na mesma vacina na dose de reforço, configurando uma terceira dose; outros optaram pela intercambialidade de imunizantes. Entenda alguns casos:
Estados Unidos
Especialistas em saúde pública e médicos do Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS) dos Estados Unidos determinaram que uma dose de reforço seja dada a indivíduos com 65 anos ou mais, profissionais de saúde, professores e agentes penitenciários que se vacinaram há mais de seis meses, por entenderem que os grupos são de risco. Todos receberão uma dose de vacina de RNA mensageiro. Os Estados Unidos usaram, para imunizar a população, vacinas de RNA mensageiro e vetor viral não replicante.
Reino Unido
O reforço vacinal no Reino Unido acontece, de acordo com o governo, como medida de precaução para aumentar o nível de proteção do organismo contra o vírus e reduzir o risco de internação hospitalar. A vacina é oferecida a adultos com mais de 50 anos e pessoas com comorbidades acima dos 16 anos que já completaram o esquema vacinal há seis meses. Estão sendo usados imunizantes de RNA mensageiro. O país utilizou, para a primeira e segunda dose, vacinas de RNA mensageiro e vetor viral não replicante.
Alemanha
O ministro da Saúde alemão, Jens Spahn, afirmou que a dose de reforço fortalece e estende a proteção das duas primeiras doses. A dose adicional, que utiliza vacinas de RNA mensageiro, é direcionada a idosos e pessoas com sistema imunológico comprometido. Além disso, a Alemanha quer ministrar doses extras para quem recebeu vacinas de vetor viral não replicante, usando vacinas de RNA mensageiro.
Israel
O país foi o primeiro a disponibilizar uma dose de reforço, ainda em julho, ao perceber o aumento de casos de internação devido à variante delta. Israel usou vacinas de RNA mensageiro para a primeira e segunda dose, e está usando o mesmo imunizante para a dose de reforço. A vacina é dirigida às pessoas acima dos 60 anos que já tomaram as duas doses há cinco meses. Em agosto, o país ampliou a vacinação para mulheres grávidas, professores, profissionais da saúde, presidiários, guardas prisionais e pessoas com comorbidades.
Hungria
A Hungria se tornou o primeiro país europeu a aplicar doses de reforço na população, em agosto. O motivo foi o aumento de casos por conta da variante delta e para evitar o surgimento de novas variantes, bem como fortalecer o sistema imunológico da população. A dose de reforço é recomendada para idosos, pessoas com doenças crônicas e pacientes com sistema imunológico enfraquecido, mas qualquer pessoa acima de 18 anos, que recebeu a segunda dose ou dose única há mais de quatro meses, está apta a tomar o reforço. O governo recomenda a intercambialidade de vacinas: quem recebeu a vacina de vetor não replicante deve ser imunizado, na dose de reforço, com vacina de vírus inativado ou de RNA mensageiro.
França
Para as autoridades francesas, uma nova dose da vacina contra a Covid-19 ajuda a manter um bom nível de proteção por meio do estímulo ao sistema imunológico. O reforço é direcionado às pessoas com comorbidade, moradores de casas de repouso e adultos acima dos 65 anos, todos imunizados há mais de seis meses com as duas doses. Quem recebeu vacina de dose única é orientado a tomar uma dose extra quatro semanas depois. As doses de reforço são feitas apenas com vacinas de RNA mensageiro. A França vacinou a população, primeiramente, com vacinas de vetor viral não replicante e RNA mensageiro.
O Grupo Independente para Alocação de Vacinas (IAVG, na sigla em inglês), ligado à Organização Mundial da Saúde (OMS), concorda que doses de reforço devem ser aplicadas para proteger certas populações vulneráveis e imunocomprometidas. A Agência Europeia de Medicamentos (EMA, na sigla em inglês) não considera urgente a necessidade de aplicação da dose de reforço na população em geral, mas diz estar atenta para uma possível revacinação.