Força da 5ª onda de Covid-19 em Hong Kong se deve à baixa vacinação de idosos, mostra pesquisa

Indivíduos acima de 60 anos representam 95,8% dos óbitos e 85,8% das hospitalizações; a maioria é não vacinada


Publicado em: 26/04/2022

Nos últimos dois anos, medidas rigorosas de controle de fronteiras fizeram Hong Kong controlar rapidamente os casos de Covid-19, contendo inclusive as variantes alfa e delta do SARS-CoV-2. No entanto, o cenário mudou com a chegada da subvariante ômicron BA.2, altamente transmissível. Desde janeiro de 2022, a quinta onda da pandemia vem assolando a região de forma devastadora, com um milhão de casos e mais de 9.300 óbitos, sendo a maioria de idosos.

Segundo um artigo científico publicado em 25/3 na revista Emerging Microbes & Infections, a principal razão para a gravidade da nova onda em Hong Kong é o baixo índice de vacinação na população idosa: apenas 55,8% dos idosos acima de 80 anos estão completamente vacinados. Embora os idosos sejam apenas 27,5% da população de Hong Kong, eles representam 85,8% dos casos de hospitalização e 95,8% dos óbitos – sendo 51,4% e 70,8% na faixa etária acima de 80 anos, respectivamente.

Além disso, a maior parte dos óbitos é de pessoas não vacinadas: cerca de 90% dos indivíduos que morreram por Covid-19 nesse período não receberam o esquema vacinal completo nem da CoronaVac e nem da Pfizer, principais vacinas disponíveis no país.

A média móvel de mortes por 100 mil pessoas em Hong Kong na semana terminada em 12/3 foi de 3,73, a mais alta do mundo. O total de casos notificados até o momento ultrapassa 1,2 milhão, ou 16% da população. “Levando em conta os casos não testados e não notificados, é razoável estimar que até 30% ou 40% da população de Hong Kong já foi afetada”, dizem os autores do artigo.

Os pesquisadores estabeleceram uma comparação com Cingapura, que tem um número total comparável de casos confirmados de Covid-19, mas seu número de mortes é de 1.220, apenas 19,2% do total observado em Hong Kong. “As porcentagens de pessoas que receberam três doses da CoronaVac ou duas doses da Pfizer nas faixas etárias de 60 a 69, 70 a 79 e mais de 80 anos em Cingapura são de 97%, 96% e 94%, respectivamente”.

Os impactos da quinta onda em Hong Kong chamam a atenção para a importância da vacina para proteger toda a população contra casos graves e mortes, incluindo os grupos de alto risco como os idosos, principalmente em meio ao surgimento de novas variantes do coronavírus.

 

*Este texto é uma colaboração do jornalista científico Peter Moon para o portal do Butantan