Pacientes com doenças reumáticas autoimunes que já tiveram Covid-19 podem estar protegidos com uma única dose de CoronaVac, sugere estudo


Publicado em: 27/12/2021

Um estudo publicado na revista The Lancet Rheumatology neste mês mostrou que uma única dose de CoronaVac, vacina do Butantan e da Sinovac, pode ser suficiente para promover uma resposta imune robusta em pacientes com doenças reumáticas autoimunes que foram previamente infectados pelo SARS-CoV-2. A pesquisa foi conduzida no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

De acordo com a pesquisa, 95% dos 157 pacientes que já tinham contraído Covid-19 e foram imunizados com a CoronaVac produziram uma quantidade média expressiva de anticorpos IgG após a primeira dose. Após a segunda dose, o indicador saltou para 98% dos voluntários.

Os pesquisadores também analisaram 471 indivíduos com doenças reumáticas que nunca tinham tido contato com o coronavírus. A imunização completa com as duas doses da vacina nesse grupo induziu a produção de anticorpos em 75% dos participantes.

Participaram do estudo 1.193 pacientes e 492 controles. Após seleção aleatória de amostras, foram analisadas 942 pessoas (157 com sorologia positiva e 471 com sorologia negativa). Ambos os grupos também contaram, cada um, com 157 indivíduos controles.

Os pesquisadores coletaram amostras sanguíneas dos voluntários imediatamente antes da primeira dose (dia zero), antes da segunda dose (dia 28) e decorridos 69 dias da primeira dose (ou 40 dias da segunda dose).

Memória imunológica

Os resultados do artigo da USP apoiam outras pesquisas feitas com indivíduos com doenças reumáticas autoimunes com sorologia positiva e negativa para Covid-19, que mostram que vacinas de RNA mensageiro e adenovírus induzem o mesmo padrão de resposta imune observado no estudo com a CoronaVac.

“Um possível mecanismo que explica essa resposta robusta em quem já teve Covid-19 está relacionado às células B de memória pré-existentes, porque a exposição recorrente é conhecida por gerar respostas mais extensas do que uma infecção primária”, apontam os autores do artigo.