CoronaVac gera proteção contra Covid-19 em 91% dos pacientes submetidos à diálise, mostra estudo da Unifesp

Foram investigadas a eficácia da resposta de anticorpos, o surgimento de infecções inesperadas e a letalidade da Covid


Publicado em: 19/04/2022

Um estudo de mundo real realizado com pacientes renais terminais submetidos ao tratamento de diálise mostrou a eficácia do esquema de duas doses da CoronaVac, a vacina do Butantan e da Sinovac, na prevenção de hospitalizações por Covid-19. O trabalho foi publicado em dezembro na revista Clinical Kidney Journal e conduzido por pesquisadores do Hospital do Rim da Universidade Federal de São Paulo e do Instituto Butantan. Participaram do estudo 138 pacientes renais terminais em diálise no Hospital do Rim.

A taxa de soroconversão foi de 91% (ou seja, foi verificada em 126 pacientes) decorridos 28 dias da segunda dose. O valor médio de imunoglobulina G entre os pacientes com teste positivo para Covid-19 mostrou um aumento de seis vezes – de 103 AU/mL após a primeira dose para 626 AU/mL após a segunda dose. Vale lembrar que doença renal é uma das principais comorbidades que aumenta o fator de risco para a Covid-19.

Na conclusão do trabalho, os pesquisadores afirmam que este “estudo prospectivo sugere que o uso do esquema tradicional de duas doses da CoronaVac em pacientes em diálise é seguro e alcançou taxas de soroconversão de 91,3%, semelhantes às observadas na população geral”.

A maioria dos participantes da pesquisa era do sexo masculino, com idade média de 46 anos, e faziam diálise há 32 meses, em média. Cerca de 20% deles tinham diabetes mellitus. Todos receberam o esquema de duas doses de CoronaVac entre abril e junho de 2021.

Dos 76 pacientes com teste negativo após a primeira dose, 64 (84%) desenvolveram resposta de anticorpos após a segunda dose, com um valor médio de imunoglobulina G de 411 AU/mL. Os 12 pacientes sem resposta de anticorpos após as duas doses eram significativamente mais velhos (média de 56 anos) e recorriam mais frequentemente à manutenção de doses de esteroides do que aqueles que apresentaram soroconversão após a primeira dose.

Cinco pacientes (2,6%) desenvolveram Covid-19 após a segunda dose da vacina, sendo quatro deles após 15 dias da aplicação. A mediana dos títulos de imunoglobulina G desses cinco pacientes foi de 60 AU/mL. Três necessitaram de internação e um faleceu 70 dias após a segunda dose.

As reações adversas mais comuns após a segunda dose foram dor local e sensibilidade (11%). Febre, mialgia, cefaleia ou diarreia ocorreram em 5% dos pacientes. Não foram observadas reações adversas graves. A resposta de imunidade humoral foi avaliada 28 dias após a primeira dose e 28 dias após a segunda.

Em um artigo recente, os autores já haviam demonstrado a eficácia da primeira dose da CoronaVac junto ao mesmo grupo de pacientes com doença renal terminal. Naquela oportunidade, a vacina induziu uma taxa de soroconversão de 44% após uma única dose. No novo trabalho, os autores vão além e relatam a eficácia das duas doses da CoronaVac nos pacientes renais. 

*Este texto é uma colaboração do jornalista científico Peter Moon para o portal do Butantan