Desdobramentos do Projeto S, com sorologia e inquérito domiciliar, são referência mundial no combate à Covid-19


Publicado em: 09/12/2021

O Projeto S, estudo de efetividade realizado pelo Butantan no município paulista de Serrana, transformou os rumos das campanhas de vacinação desde seu início, se tornando um marco na imunização contra a Covid-19 no Brasil e no mundo. Naquele momento, no entanto, não se tinha ideia dos desdobramentos da pandemia – ninguém sabia ainda, por exemplo, que seis meses após completar o esquema vacinal seria necessária uma dose de reforço. Com duração prevista de um ano, o projeto tem gerado muitas outras pesquisas, como a sorológica, que investiga a duração da imunidade provocada pela vacina, e produzido extensos dados científicos de referência internacional.

“O Projeto S é como um grande guarda-chuva com vários subprojetos dentro dele, mas do ponto de vista do comitê de ética são projetos distintos”, afirma o diretor do Hospital Estadual de Serrana, Marcos Borges. “Como ficou cidade sentinela, onde consegue se observar a pandemia, outros estudos surgiram para avaliar a imunidade e o quanto a vacina produz anticorpos em diferentes idades”.

Em sua primeira etapa, o Projeto S vacinou 27 mil pessoas moradores com duas doses de CoronaVac em um intervalo de 28 dias. O resultado foi a queda de 80% dos casos sintomáticos e de 95% da mortalidade. A imunização mostrou-se eficaz, mesmo com cerca de 10 mil moradores de Serrana trabalhando na cidade de Ribeirão Preto, onde no mesmo período havia uma alta de casos. 

A fase atual da pesquisa está avaliando a imunidade de longo prazo dos vacinados, em uma amostragem suficiente para representar toda a população. Esse estágio compreende um estudo de coorte prospectivo aprovado e acompanhado pelo Comitê de Ética em Pesquisas em Seres Humanos do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP). Por meio do estudo, está sendo comparada a imunização entre adultos e idosos, levando em conta o envelhecimento do sistema imunológico. 

Essa etapa sorológica tem o objetivo de mostrar como o organismo reage à vacinação. Todos os voluntários repetirão os exames sanguíneos a cada três meses para medir a evolução da imunidade ao longo do tempo. Há também o inquérito domiciliar que objetiva estimar a incidência de SARS-CoV-2 na população de Serrana e será realizado uma vez ao longo de um ano.

A terceira dose de reforço começou a ser aplicada em idosos da região em setembro deste ano. “A gente não previa naquele momento que desenhou o Projeto S a necessidade de uma terceira dose. Haverá depois, em outra fase, a análise também desses dados”, afirma Marcos. Ele prevê que muitas outras pesquisas serão geradas em Serrana a partir do Projeto S para avaliar os efeitos da dose de reforço.

As primeiras conclusões dos estudos em Serrana têm servido de referência para estratégias de imunização internacionais e serão apresentadas no Symposium CoronaVac, do Instituto Butantan e Sinovac, entre 7 e 9/12. No primeiro dia do evento online internacional, o pesquisador Marcos Borges apresentará a metodologia da pesquisa, valores de efetividade direta e indireta na população de Serrana e dados de sorologia.

Para participar do CoronaVac Symposium, basta se inscrever no site e acessar o link da transmissão nos dias do evento.

Consulte a programação completa no site.