Estudo mostra que CoronaVac é segura e imunogênica para crianças com idades entre sete meses e cinco anos

Os objetivos eram monitorar a segurança, tolerabilidade e soroconversão da vacina pela detecção de anticorpos


Publicado em: 12/01/2022

Um estudo de vacinação com a CoronaVac realizado por cientistas do Instituto Adolfo Lutz, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas e da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo concluiu que a CoronaVac é segura e imunogênica para crianças. A pesquisa foi realizada com 27 brasileiros, com idades entre sete meses e cinco anos, que receberam a vacina do Butantan e da farmacêutica chinesa Sinovac de modo inadvertido nas cidades de Diadema e Itirapina, no estado de São Paulo. Apenas uma delas apresentou sintomas leves, sem outros eventos adversos importantes registrados durante o acompanhamento de 30 dias.

As crianças participantes do estudo buscaram unidades básicas de saúde (UBS) para tomar a vacina da influenza, mas acabaram recebendo por engano a CoronaVac. O evento foi imediatamente comunicado às secretarias de saúde de cada município e, em relação ao evento adverso, ao sistema de vigilância vacinal. O Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (CVE) e o Instituto Adolfo Lutz atenderam as secretarias de Itirapina e Diadema.

As 27 crianças vacinadas com uma única dose foram monitoradas por pediatras, que coletaram amostras de soro na primeira consulta (nove dias após a vacinação) e após 30 dias da imunização. A única criança que relatou efeitos adversos tinha dois anos e apresentou coriza na primeira consulta após a vacinação. 

Todas as crianças foram testadas para sorologia SARS-CoV-2 S1 com proteína Ortho IgG anti-S1 total e Cpass, um método que permite a rápida detecção de anticorpos neutralizantes totais. Cinco delas tinham título de proteína IgG total superior a 1.0 (testes de reagentes) entre três e nove dias após a vacinação. Do total, 19 tiveram o sangue coletado 30 dias depois da aplicação e também apresentaram títulos totais de proteína IgG spike superior a 1.0. Quatro das cinco crianças que apresentaram teste reagente na primeira consulta foram testadas novamente um mês depois da imunização e apresentaram aumento da proteína spike IgG anti S1 total, passando de uma média de 10,4 para 20,5.

Os objetivos do estudo eram descrever a resposta da saúde pública a um erro programático e monitorar a segurança, tolerabilidade e soroconversão da vacina por meio da detecção da quantidade total de anticorpos IgG contra a proteína spike SARS-CoV-2 S1 após a vacinação de crianças com CoronaVac.