Quatro tipos de vírus, diversos subtipos possíveis, proteínas ligadas umas às outras: conheça um pouco mais sobre o vírus influenza

Com a variação dos subtipos, é possível gerar mais de 30 mil vírus diferentes, mas nem todos atingem o ser humano


Publicado em: 31/01/2022

O vírus influenza, causador da gripe, circula em nossa sociedade há muito tempo e é considerado o patógeno que mais provocou mortes na história da humanidade. Os primeiros registros de sua circulação foram em 412 a.C., quando Hipócrates e Livy discorreram sobre um aumento de casos de uma doença respiratória que iniciou de maneira abrupta e levou a óbito um número grande de pessoas. No decorrer dos séculos, ele tem causado surtos, epidemias e pandemias. As mais bem descritas e estudadas delas ocorreram no século 20 (gripe espanhola, gripe asiática e gripe Hong Kong) e 21 (gripe suína, depois nomeada H1N1 pandêmica). 

 

Quando ouvimos falar da influenza, geralmente ouvimos também uma sigla associada ao vírus, como H3N2 e H1N1. Você sabe por que existe essa sigla? E o significado dela?

O vírus da influenza é composto por quatro tipos: A, B, C e D. Na superfície dos tipos A e B há duas proteínas, a hemaglutinina (HA), que tem o papel de ligar o vírus ao receptor, sendo essencial para causar a infecção, e a neuraminidase (NA), que faz o vírus ser liberado da célula hospedeira para fazer a replicação em outras.

No tipo A, há uma variedade de subtipos. Até o momento, foram identificadas 18 diferentes hemaglutininas (de H1 até H18) e 11 neuraminidases (de N1 até N11). E é daí que vêm as nomenclaturas que tanto ouvimos falar. Todas essas proteínas podem se misturar, criando um novo subtipo.

Essa variação de subtipos pode gerar mais de 30 mil vírus diferentes, porém apenas três estão adaptados para atingir humanos (até o momento): H2N2, H1N1 e H3N2, sendo que apenas os dois últimos circulam atualmente no mundo. O restante dos arranjos acomete principalmente aves aquáticas e selvagens, consideradas como hospedeiros naturais do vírus. Também podem infectar e causar doenças em aves domésticas, mamíferos aquáticos, porcos e morcegos entre outros mamíferos.

Já o tipo B da influenza tem apenas duas variantes: Yamagata e Victória. Os nomes dados às cepas estão relacionados com o local em que elas emergiram: na cidade de Yamagata, no Japão, e no estado de Victoria, na Austrália. O tipo C não tem uma importância epidemiológica tão grande, pois na maioria dos casos causa um pequeno resfriado – diferente da A e da B, que podem ocasionar epidemias sazonais. Embora tenham características distintas, os três tipos causam sintomas parecidos, como febre alta, tosse, garganta inflamada, dores de cabeça, no corpo etc. O tipo D, descrito pela primeira vez em 2011, está relacionado a infecções em bovinos. 

“Há um monitoramento acirrado em cima desses vírus para que não ocorra a passagem de novos vírus influenza aviários ou suínos para os humanos”, conta a diretora do Laboratório de Virologia do Butantan, Viviane Fongaro Botosso. Com esse objetivo, os países mantêm programas sentinelas vinculados às autoridades nacionais de saúde e à Organização Mundial da Saúde, que fazem o acompanhamento e a caracterização dos vírus circulantes, permitindo a identificação de novos agentes, causadores de doenças. Portanto, essa rede pode fazer a detecção rápida de novas enfermidades e novos agentes possibilitando a tomada de providências e ações pelos órgãos competentes para evitar a proliferação de novas doenças.

O Brasil possui um programa sentinela do Ministério da Saúde ligado à Secretaria de Vigilância em Saúde que identifica as novas variantes do vírus influenza circulantes em território nacional.

 

 

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