Está na hora das mulheres começarem a fazer parte da história da ciência; conheça a atuação de cientistas no Instituto Butantan

No Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, saiba mais sobre a trajetória destas profissionais e a importância da divulgação de conquistas científicas das mulheres


Publicado em: 11/02/2022

No Butantan, as mulheres são protagonistas dos laboratórios científicos, representando 70% dos 137 colaboradores com cargo de pesquisador. O mesmo ocorre no ensino: na Escola Superior do Instituto Butantan (Esib), quase 60% dos 388 estudantes também são mulheres. Neste Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, celebrado em 11/2, conversamos com algumas das cientistas que atuam e fazem história no Butantan, ocupando seu espaço em um mundo acadêmico ainda desigual e contribuindo para a produção de conhecimentos que visam melhorar a saúde da população.

Segundo dados da Unesco, estima-se que 30% dos cientistas do mundo sejam mulheres. Para a pesquisadora Dúnia Del Carmen Rodriguez Soto, do Laboratório de Desenvolvimento de Vacinas do Butantan, a atuação das mulheres é muito importante para o desenvolvimento da pesquisa científica. “Está na hora de começar a fazer parte da história. A presença das mulheres na ciência é uma demonstração de empoderamento e de avanços na igualdade de gênero”, afirma.

Saiba mais sobre a pesquisadora e duas jovens cientistas do Butantan e como a participação das mulheres na ciência é vista por diferentes gerações.

 

Dúnia Del Carmen Rodriguez Soto, Pesquisadora no Laboratório de Desenvolvimento de Vacinas do Butantan

 

 

A pesquisadora de 56 anos trabalha no Butantan desde 2008 e atua no desenvolvimento de vacinas como a BCG recombinante, contra a tuberculose. O Instituto já foi um dos fabricantes da vacina e hoje estuda novas aplicações do imunizante. A BCG recombinante é uma versão mais moderna e potente, que contêm a proteína de outra bactéria com poder adjuvante. “Além de aprimorar a vacina da tuberculose, essas pesquisas podem melhorar a eficácia do tratamento do câncer de bexiga, já que a BCG também é usada como imunoterapia para essa doença”, explica.

Sobre o papel da mulher na ciência, Dúnia acredita que é preciso estimular desde a infância a participação do público feminino nesse campo. “Oportunidade: é disso que precisamos para demonstrar o nosso potencial. A divulgação de conquistas científicas por mulheres, por exemplo, pode aumentar a nossa visibilidade na área”, ressalta.

 

Jessika Cristina Alves da Silva, aluna de mestrado no Laboratório de Bacteriologia do Butantan

 

 

Com 24 anos, Jessika estuda os processos fisiológicos da bactéria Escherichia coli patogênica, analisando a expressão e a atuação de suas toxinas em sua patogenicidade (capacidade de provocar doença). “Essas descobertas podem ser úteis para o tratamento de infecções bacterianas, que atualmente tem grande importância clínica”, diz. Anualmente, cerca de 700 mil óbitos no mundo são causados por infecções derivadas de bactérias multirresistentes, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).

A estudante lembra que as mulheres são responsáveis por diversas descobertas científicas que ajudam a sociedade até hoje, como Rosalind Franklin, que descobriu a estrutura do DNA, e Marie Curie, que descobriu os elementos químicos rádio e polônio. “A partir do momento que entrei nessa área, passei a ver o mundo de uma maneira diferente e soube que a ciência precisa de nós para buscar novos conhecimentos e ajudar a sociedade”, afirma.

 

Izabella de Macedo Henrique, aluna de mestrado no Laboratório de Bacteriologia do Butantan

 

 

 

Izabella tem 26 anos e trabalha com anticorpos monoclonais com o objetivo de neutralizar as toxinas Shiga, que são produzidas pela bactéria Escherichia coli patogênica e causam infecções gastrointestinais que, em casos mais raros, podem ser fatais. “Nossa pesquisa contribui para o desenvolvimento de ferramentas inovadoras que podem se tornar o único tratamento existente e específico contra a toxina Shiga. Além disso, pode ajudar a conscientizar sobre os graves impactos dessas infecções para a saúde humana, alertando sobre a importância das boas práticas de manipulação de alimentos”, aponta.

Para a mestranda, é impossível pensar na ciência sem a figura da mulher. “Poder contar com exemplos e a normalização das mulheres no meio científico é vital para o acolhimento das meninas que têm essa vocação”, destaca. Em 2019, Izabella foi vencedora do prêmio Jovem Cientista na categoria Especialização, concedido pelo Butantan. “Foi um divisor de águas na minha vida, é um título que levo com muito carinho e orgulho. Mas o maior fruto foi aprender que não somos ninguém sem a nossa comunidade e o quanto devemos a todos que nos auxiliam na caminhada, porque não se faz ciência sozinho”.