09/03/2020 - Terão início na próxima quinta-feira (13), as aulas do primeiro curso de Mestrado Profissional do Instituto Butantan, que terá foco em Biotecnologia e Bioprocessos e que, nesta fase piloto, contará com quatro alunos (dois do próprio Butantan e dois de indústrias farmacêuticas privadas). A próxima turma (com mais dez vagas) terá as inscrições abertas em maio para seu processo seletivo. Os interessados precisam, necessariamente, ter graduação e atuar no mercado de biotecnologia, além de terem que sugerir um problema ou uma mudança de processo para melhoria no seu cenário de trabalho e cuja solução possa ser elaborada no curso.
O novo mestrado foi proposto pelo próprio Butantan, trazendo à Pós-Graduação do Instituto, o seu braço profissional que, como seu braço Acadêmico (mestrado e doutorado em Toxinologia) é aprovado pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior). A Capes é a fundação do Ministério da Educação responsável pela consolidação da pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado) em todos os estados da federação. O diferencial deste novo mestrado será o vínculo com a prática no mercado.
Tanto o mestrado profissional quanto o acadêmico dão ao aluno o título de mestre, o que permitirá que também possam dar aulas. “A gente [do Butantan] tem know-how para este curso, tem toda a expertise. O objetivo do Butantan é contribuir para o desenvolvimento do parque tecnológico de São Paulo e do Brasil”, disse Maria Carolina Elias Sabbaga, coordenadora do curso.
Ganhos
Na opinião da coordenadora, todos sairão ganhando com o novo curso: os alunos porque trarão questões do mercado e poderão aprender com especialistas e trocar experiências com colegas do mercado; as empresas porque vão obter projetos com soluções para seus problemas e o próprio Butantan porque irá arejar seus conhecimentos e poderá reforçar para a sociedade a importância do seu papel, ao compartilhar seu conhecimento.
Os interessados inscritos para a primeira turma passaram por um processo seletivo que levou em consideração se eles teriam o nível de responsabilidade adequado para assumir o papel de aluno e, ao mesmo tempo, se o curso teria condições de ajuda-los a desenvolverem um projeto que atendesse as necessidades em sua empresa de atuação. A maior parte dos interessados tinha formação em química, biologia, engenharia biotecnológica e engenharia química, dentre outras áreas.
“É uma satisfação profissional muito grande ver o Mestrado Profissional concretizado. O curso foi discutido e elaborado contando com pesquisadores da casa, com conhecimento único, alinhando a credibilidade do Instituto Butantan à capacidade de trazer, a partir da bancada, as soluções para os desafios apresentados pelos projetos vindo de Indústrias e Produção. Todo apoio administrativo e acadêmico ao Programa de Pós-graduação será por meio da Esib (Escola Superior do Instituto Butantan). Ver o espaço físico da Escola Superior, em fase final de construção, culminando com a abertura da primeira turma do Mestrado Profissional em Biotecnologia e Bioprocessos me faz acreditar que muito trabalho nos espera, pois são muitas as possibilidades nesta interface Pesquisa-Ensino e trabalharemos muito por tudo isso”, disse Sandra Coccuzzo Sampaio Vessoni, diretora do Centro de Desenvolvimento Científico e da Esib.
Aulas
No dia 13, quando acontecerá o início das aulas, os alunos serão recebidos por um comitê de recepção e um bate-papo sobre suas expectativas em relação ao curso. As aulas presenciais acontecerão na Casa Afrânio do Amaral (antiga diretoria técnica), nas noites de sexta e em período integral aos sábados, em finais de semana alternados. Ao todo, cerca de 30% do tempo do curso será trabalhado com a leitura de materiais considerados básicos e que irão nivelar os alunos devido aos perfis de atuação diferentes. Segundo Sabbaga, ao todo, inicialmente, 19 profissionais do próprio Butantan formarão o corpo docente. A ideia, porém, é convidar outros profissionais futuramente.
A analista de biotecnologia Letícia Fonseca Lizabello, 24, trabalha hoje na farmacêutica Bionovis e fará parte da primeira turma do Mestrado Profissional. Ela conta que desde que se formou e entrou no mercado sentia muita vontade fazer pós-graduação e se especializar em sua área. Ela trabalha com a produção de medicamentos biológicos e afirma acreditar que o mestrado profissional ampliará seus conhecimentos e possibilitará um grande desenvolvimento no que diz respeito aos bioprocessos industriais com os quais trabalha. “Eu me interessei pelo modelo de pós-graduação em Biotecnologia e Bioprocessos proposto pelo Instituto Butantan porque ele traz a oportunidade de estudar assuntos pelos quais sou apaixonada e de forma aplicável no meu dia a dia”, disse Letícia.
Mais informações
Saiba mais sobre o curso: https://biotecprofissional.butantan.gov.br/
Em caso de dúvidas, escreva para: mpbio@butantan.gov.br
(por Adriana Matiuzo)