CoronaVac induz produção de anticorpos específicos contra as principais proteínas do vírus SARS-CoV-2

Resposta imune foi semelhante em indivíduos que já tiveram Covid-19 ou não, e em pessoas com e sem comorbidades


Publicado em: 08/02/2022

Um estudo brasileiro publicado na revista Diagnostic Microbiology and Infectious Disease identificou alta produção de anticorpos IgG específicos contra a proteína Spike (S) e contra a proteína nucleocapsídeo (N) do SARS-CoV-2 em profissionais da saúde vacinados com a CoronaVac, com e sem infecção prévia de Covid-19, e com e sem comorbidades. Essas são as proteínas mais importantes do vírus, que induzem maior resposta imune.

A análise, publicada em novembro, foi conduzida por cientistas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais de Campinas. Os 133 voluntários eram profissionais do Complexo Hospital de Clínicas da UFPR, de Curitiba, com idades de 25 a 59 anos, sendo nove imunossuprimidos e 124 sem comorbidades. Os indivíduos também foram divididos em outros dois grupos: que apresentaram sorologia positiva para Covid-19 antes da vacinação (16) e que nunca tiveram a doença (117).

Uma produção robusta de anticorpos IgG específicos para a proteína S, responsável pela entrada do vírus nas células humanas, foi detectada em 97% do total de participantes duas semanas após a segunda dose. Além disso, 52% dos indivíduos apresentaram anticorpos IgG contra a proteína N – isso porque a CoronaVac é uma vacina de vírus inativado capaz de promover uma resposta imune mais ampla, não restrita a uma única proteína.

Os níveis de anticorpos produzidos foram semelhantes, independente do participante já ter tido a doença ou não. Nos indivíduos imunossuprimidos, em geral, a resposta imune também foi similar ao grupo sem comorbidades.

Os pesquisadores chamam a atenção para as taxas de soroconversão observadas para a proteína N, a mais conservada e estável do vírus. “Como essa proteína apresenta um baixo nível de mutações, anticorpos específicos para essa proteína podem ser viáveis no combate às variantes, que possuem um alto número de mutações na proteína S”, afirmam.  No entanto, reforçam que mais estudos precisam ser feitos para entender o efeito protetor de anticorpos específicos contra outras proteínas do vírus.

 

*Este texto é uma colaboração do jornalista científico Peter Moon para o portal do Butantan