Terceira dose da CoronaVac eleva proteção em idosos para 98% contra casos graves e mortes, aponta estudo

Em indivíduos acima de 80 anos, a eficácia foi de 96,6%; pesquisa foi feita durante surto da ômicron em Hong Kong


Publicado em: 29/03/2022

Uma pesquisa conduzida pela Universidade de Hong Kong mostrou que a dose de reforço da CoronaVac, vacina do Butantan e da farmacêutica chinesa Sinovac, tem uma efetividade de 98% para proteger idosos contra casos graves e mortes por Covid-19, mesmo durante o surto da variante ômicron do SARS-CoV-2. Entre aqueles com mais de 80 anos, a terceira dose protegeu 96,6% contra o mesmo desfecho. O estudo foi publicado no dia 22/3 na plataforma de preprints MedRxiv.

Os cientistas analisaram dados de casos leves e moderados (5.474), casos graves (5.294) e mortes (4.093) relacionados à Covid-19, ocorridos entre dezembro de 2021 e março de 2022, e investigaram a eficácia de duas e três doses da CoronaVac e da Pfizer, os imunizantes mais utilizados em Hong Kong. Com duas doses, a CoronaVac protegeu 74% dos pacientes maiores de 60 anos contra doença grave e óbito, nível semelhante ao observado na Pfizer. A terceira dose da vacina do Butantan elevou essa proteção para 98%.

Em adultos mais jovens, entre 20 e 59 anos, a proteção com duas doses de CoronaVac contra casos graves foi de 91,7% e, contra mortes, 94%. Já com a dose de reforço, o imunizante preveniu a doença grave em 98,5% dos indivíduos (em relação à mortalidade após terceira dose, não foram obtidos dados suficientes para estimativa).

A ômicron fez a Covid-19 disparar em Hong Kong em janeiro, resultando em 649.454 casos confirmados e quase cinco mil mortes até meados de março. A cobertura vacinal, no entanto, ainda está abaixo do ideal, principalmente no grupo de idosos: 66% das pessoas na faixa etária de 70 a 79 anos e apenas 37% acima de 80 anos receberam as duas doses. Os níveis observados para a terceira dose são ainda mais baixos, com 30% e 10%, respectivamente.

“Nosso estudo ressalta que a terceira dose é importante e deve ser priorizada, principalmente para os idosos, pois fornece uma proteção adicional contra a forma grave da Covid-19”, afirmam os autores no artigo. Eles acrescentam que Hong Kong está reunindo esforços para ampliar a cobertura vacinal nesse público, estendendo o horário de funcionamento das clínicas de imunização e o envio de equipes de vacinação para casas de repouso, conjuntos habitacionais e para pessoas com mobilidade reduzida.

Os resultados de Hong Kong reforçam as descobertas de outros estudos de efetividade feitos no mundo, que comprovam que a CoronaVac garante a proteção de idosos.