Quatro razões para priorizar a vacinação de crianças e adolescentes contra a Covid-19


Publicado em: 13/12/2021

Os idosos, e depois os adultos, foram consideradas populações prioritárias no início da imunização contra a Covid-19, mas com a chegada da variante ômicron aumenta a necessidade de proteção também de crianças e adolescentes. Sem estarem incluídos nas campanhas de vacinação, os mais jovens se tornam mais suscetíveis aos vírus SARS-CoV-2 que os adultos imunizados, um fato apontado por diversos cientistas que participaram, na última semana, do CoronaVac Symposium, organizado pelo Instituto Butantan com o apoio da Sinovac. E nesse processo a vacina CoronaVac cumpre um importante papel: ela é a mais segura dentre todas as que estão em uso, sendo fabricada com a tecnologia de vírus inativado, a mais estabelecida de produção de imunizantes, e já teve sua eficácia comprovada entre o público pediátrico.

 

Confira a seguir os principais motivos pelos quais é preciso imunizar crianças e porque a CoronaVac deveria ser utilizada também nesse público, segundo médicos e pesquisadores.

 

1) Vários países já vacinam crianças

A CoronaVac está sendo aplicada na faixa de três a 17 anos em diferentes países do mundo. China, Chile, Equador, Indonésia, Camboja e Colômbia já aprovaram o uso da CoronaVac após pesquisas revelarem a segurança da vacina dessa faixa etária. A China foi pioneira neste sentido e autorizou o uso da CoronaVac em crianças a partir de três anos em junho. O Chile anunciou a mudança da faixa etária em setembro. Equador autorizou o uso do imunizante em outubro e Indonésia, Hong Kong e Camboja ampliaram sua faixa etária de imunização contra o SARS-CoV-2 em novembro.

No Brasil, a vacinação de adolescentes de 12 a 17 anos está autorizada com imunizante que usa a tecnologia de RNA mensageiro. O Butantan está conversando com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) com o objetivo de ampliar a faixa etária que pode receber a CoronaVac, incluindo as crianças de três a 11 anos. Para o epidemiologista Paulo Lotufo, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), para a pandemia ser combatida de forma efetiva é preciso incluir toda a população na cobertura de imunização, inclusive os mais jovens. “Acredito que a vacinação para crianças é obrigatória”, disse ele durante o CoronaVac Symposium.

 

2) Mesma tecnologia usada em outras vacinas infantis 

A base da produção da CoronaVac é a tecnologia de vírus inativado, um processo antigo e usado em outras vacinas já aplicadas em crianças durante as campanhas anuais de imunização. A técnica, amplamente estudada, usa um vírus “morto”, que não é capaz de causar doença para induzir a resposta imunológica. Ela é usada, por exemplo, na vacina contra a gripe influenza, que é aplicada em crianças a partir dos seis meses de vida. Segundo o infectologista Esper Kallás, diretor do Centro de Pesquisas Clínicas do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, a tecnologia largamente usada demostra que o imunizante seria apropriado para a vacinação infantil contra a Covid-19 no Brasil. “Na análise de custo benefício, as vacinas inativadas como a CoronaVac são ótimas candidatas para adotar a estratégia de vacinação em crianças”, afirmou ele durante o simpósio internacional sobre o imunizante.

 

3) Segura e eficaz

Nos ensaios clínicos da CoronaVac em crianças, a vacinação mostrou-se bastante eficiente, com efeitos adversos muito leves (graus 1 e 2), semelhantes aos observados em adultos. Os mais comuns foram dor ou inchaço no local da aplicação, segundo relatou a gerente de farmacovigilância da Sinovac, Jiayi Wang, durante o CoronaVac Symposium. Os ensaios clínicos que estão sendo realizados no Chile trouxeram resultados melhores que os dos adultos. Além de sentirem menos efeitos adversos, também apresentaram maior produção de anticorpos. Em ambos os países não houve caso de reações graves ou riscos de miocardite, pericardite ou trombose, como já relatados para outras vacinas. Na vacinação no mundo real, que vem sendo realizada na China há meses, os resultados até o momento apresentam a mesma segurança e eficácia de outras faixas etárias, segundo o biólogo de sistemas do Centro de Controle e Prevenção de Doenças da China, Zhijie An. Ao apresentar os dados preliminares dos ensaios clínicos com CoronaVac em crianças no Chile durante o CoronaVac Symposium, a professora da Pontifícia Universidade Católica do Chile, Susan Bueno, defendeu a tecnologia de vírus inativado. “Já comprovamos que a vacinação com imunizantes de vírus inativado gera imunidade em crianças. Trata-se de uma plataforma vacinal que é usada nesta população há décadas com um bom padrão de segurança”, afirmou.

 

4) Proteção aos mais vulneráveis

Após a imunização dos grupos de maior risco e da população adulta e jovem em geral, as crianças devem ser imunizadas porque passam a ser a faixa etária mais suscetível a contrair a Covid-19. Na avaliação da infectologista Natasha Ferreira, do Hospital Estadual de Serrana, no interior de São Paulo, é um risco manter essa parte tão grande da população sem vacina, porque além das crianças estarem expostas, passam a ser vetores. Quanto mais o vírus se espalha, mesmo em casos leves, aumenta a chance de surgirem mutações e outras variantes, que talvez sejam resistentes às vacinas. “Precisamos começar a vacinar crianças o mais rápido possível para garantir a segurança de todos nós”, disse ela durante uma das mesas redondas do CoronaVac Symposium.