Em Serrana, voluntários do Projeto S ressaltam importância de manter medidas de proteção


Publicado em: 19/04/2021

Mesmo após o término da etapa de vacinação com a segunda dose da CoronaVac em Serrana, boa parte da população entende que o uso de máscaras, a higienização das mãos com álcool em gel e o distanciamento social precisam ser mantidos para preservar a saúde de todos. 

A comerciante Dalete Barbosa, de 34 anos, foi imunizada no último dia da segunda etapa de vacinação, 11/4. Sobre o Projeto S, ela se sente agradecida: "Sabendo da situação que o Brasil e o mundo inteiro se encontram, para nós, de Serrana, o projeto foi muito gratificante. Tenho fé e certeza de que vai dar certo", diz. 

"A pandemia foi muito dura para mim. Perdi familiares, amigos e pessoas muito próximas. É muito triste ver a situação chegando a este ponto e as pessoas não terem conscientização. Já fui chamada de burra por acreditar na ciência, na medicina e nos estudos. A vacina mostra que a gente tem que pensar no próximo", complementa Dalete.

Na visão da comerciante, muitas pessoas em Serrana não entendem a gravidade da situação. Ela, porém, desde o início da pandemia do novo coronavírus, compreendeu que era importante manter as medidas de proteção para garantir sua saúde e a do próximo. "Minha filha tem três anos e sempre usou a máscara", exemplifica. "Eu entendo que normas existem para serem cumpridas, e as pessoas parecem que gostam de descumprir as regras."

Ela espera que as pessoas da cidade tomem consciência de que todo mundo é igual e de que todos devem se esforçar da mesma maneira. Sua sensação agora é de esperança em dias melhores. 

A veterinária Aline Maria de Oliveira, de 38 anos, proprietária de um pet shop, tinha receio, a princípio, de participar do estudo clínico do Butantan que aconteceu na cidade. Mas ao ver as pessoas saindo bem da vacinação, sem reações adversas, se tranquilizou. 

Para ela, que tem pais idosos, a pandemia também foi motivo de grande preocupação. "Foi assustador, porque não sabemos como o vírus age no organismo de cada pessoa". Agora, Aline se sente mais aliviada ao pensar sobre o futuro: "Só pelo número de casos poderem diminuir ou não ter que passar por uma intubação, dá uma esperança de ter uma vida normal novamente. É muito triste a situação das pessoas que estão sozinhas no hospital." 

Sobre as pessoas que não têm seguido as recomendações de segurança para evitar a propagação do vírus, ela explica: "Ainda está sendo complicado. Vejo muitos jovens sem responsabilidade, fazendo festinha, aglomerando. Saio para caminhar ou para fazer o trajeto do trabalho e vejo muita gente sem máscara, como se nada estivesse acontecendo. Parece que quem usa máscara e que é esquisito". 

Próximos passos do Projeto S

O estudo clínico vacinou 27.150 pessoas com a segunda dose até 11/4, o que representa praticamente toda a população adulta do município de Serrana. Segundo os especialistas, são necessárias de duas a três semanas para que o vacinado gere os anticorpos necessários para que a imunização esteja completa. Os pesquisadores do projeto esperavam uma cobertura vacinal acima de 80% da população, mas foram surpreendidos.

Gustavo Volpe, médico do Hospital Estadual de Serrana e um dos coordenadores do projeto, explica que, durante o censo da saúde que ocorreu na cidade no ano passado, foram encontradas várias pessoas que não estavam dispostas a receber o imunizante, mas o resultado da cobertura vacinal mostrou que a população aceitou muito bem o projeto. "Atingimos mais de 97% de cobertura e isso mostra que a aceitação cresceu muito. As pessoas se sentiram seguras para tomar a vacina do Butantan".

O médico complementa: "No Projeto S, o personagem principal não é o indivíduo, mas a população. Nas próximas semanas, nós esperamos observar a redução de casos graves e hospitalizações, mas queremos observar também se existe a supressão da transmissão do vírus. Essa resposta é mais complicada de se obter, mas é muito importante". Após os primeiros resultados da pesquisa, que devem sair até meados de maio, a população vacinada e não vacinada ainda será acompanhada por um ano, especialmente em relação à vigilância de casos de internação e morte.