Por que é preciso vacinar crianças contra a Covid-19 o quanto antes? Entidades médicas apoiam urgência da imunização infantil


Publicado em: 28/12/2021

Desde o início da pandemia, ao menos 2.500 crianças de zero a 19 anos, 300 destas entre cinco e 11 anos, morreram em decorrência da Covid-19 no Brasil. Pelo menos 1.400 crianças foram diagnosticadas com a Síndrome Inflamatória Multissistêmica associada ao SARS-CoV-2, e atualmente, são elas que correm mais risco diante de novas variantes altamente transmissíveis, como a ômicron, por não estarem protegidas, segundo dados do Ministério da Saúde. Porém, tudo isso seria evitado se as crianças brasileiras tivessem sido vacinadas contra a Covid-19, como já acontece em diversos países do mundo. 

Diante dessa questão, a Secretaria Extraordinária de Enfrentamento à Covid (Secovid), do Ministério da Saúde, e outras entidades médicas brasileiras emitiram notas nas últimas semanas apontando os motivos da importância da imunização infantil contra o novo coronavírus no combate à pandemia no Brasil. 

1) Porque reduz a transmissão da Covid-19

Um dos principais motivos para enfim iniciarmos a vacinação de crianças contra Covid-19 no Brasil é impedir casos graves e mortes nesse público e novas ondas de transmissões, sobretudo pelo surgimento de variantes, descrevem a Associação Médica Brasileira (AMB) e a Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização da Covid-19 (CTAI-Covid) emitida pela Secovid e assinada por mais de 11 entidades médicas, como a Sociedade Brasileira de Imunizações e Sociedade Brasileira de Infectologia, além de institutos de pesquisa como o Butantan. 

“A imunização é indispensável para reduzir a transmissão, em particular por enfrentarmos uma doença com ciclos inesperados e o surgimento de novas variantes. Vemos agora novas ondas na Europa e nos Estados Unidos, atingindo, proporcionalmente, muito mais crianças e adolescentes do que há dois anos. Faz-se necessária a urgente aquisição das doses pediátricas pelo Ministério da Saúde”, disse a AMB. 

“A chegada de uma nova variante como a ômicron, com maior transmissibilidade, faz das crianças (ainda não vacinadas) um grupo com maior risco de infecção, conforme vem sendo observado em outros países onde houve transmissão comunitária desta variante. Neste contexto epidemiológico, torna-se oportuno e urgente ampliarmos o benefício da vacinação a este grupo etário”, destacou a nota do CTAI-Covid.

2) Porque previne casos graves e mortes

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) também se pronunciou em nota a favor da vacinação de crianças contra Covid-19 dizendo ser “uma alternativa real de controle e prevenção destes desfechos da doença e que está ao alcance dos responsáveis pelas políticas públicas de saúde do nosso país”. 

“A vacina associou-se à elevada eficácia na prevenção da Covid-19, não só nos estudos clínicos controlados, como também em experiências de mundo real, com efetividade contra a doença e hospitalizações demonstrada em adolescentes.” 

A SBP afirmou ainda que não se pode ignorar que crianças estão morrendo de Covid-19 no país. “O Brasil se encontra diante de hospitalizações, sequelas e mortes que são passíveis de prevenção em sua grande maioria. Ignorar este fato, minimizar sua importância e afirmar que elas são aceitáveis não são atitudes esperadas das autoridades. A sociedade espera e merece outro tipo de postura e de compromisso com a saúde das crianças e adolescentes do Brasil.”

3) Porque segue os mesmos critérios da vacinação de adultos

A AMB apontou também que a vacinação de crianças de cinco a 11 anos é segura porque atende aos mesmos critérios da vacinação de adultos. “Destacamos que a autorização da imunização na infância segue o mesmo rigor e normas de eficácia e segurança das demais faixas etárias. Atende de forma plena aos critérios exigidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Anvisa, para vacinação de todos os públicos”.

4) Porque foi aprovada pelas principais agências reguladoras do mundo

Como ressalta a AMB, a vacinação infantil contra Covid-19 foi aprovada pelas principais agências reguladoras de medicamentos e vacinas do mundo após rigorosos estudos clínicos, com milhares de voluntários, e com o objetivo de garantir a segurança e eficácia. “Critérios estes igualmente adotados pela European Medicines Agency, EMA, Food and Drug Administration dos Estados Unidos (FDA), pela Divisão de Alimentos e Produtos para a Saúde do Canadá (HPFB), e outros órgãos similares de vários países de todo o mundo.”

O CTAI-Covid lembrou que, além da Europa e dos Estados Unidos, países da Ásia, África, e América do Sul têm utilizado vacinas de vírus inativado, como a CoronaVac (do Butantan e da Sinovac) em milhões de crianças a partir de três ou cinco anos. “Até o momento, os dados disponibilizados apontam para a manutenção da avaliação favorável à vacinação dessas crianças”, escreveu.

5) Porque a introdução de uma vacina não depende do número de mortes 

Ainda em nota, a AMB citou a introdução de outras vacinas para a população pediátrica brasileira no Programa Nacional de Imunizações que não levaram em conta somente o número de mortes de crianças para incluí-las no calendário vacinal.

“Gripe, diarreia por rotavírus, varicela, hepatite A, entre outras doenças, faziam menos vítimas do que a Covid-19 em pediatria. E não hesitamos em recomendar a imunização contra todas elas. Vacina-se para prevenir hospitalizações, sequelas, uso de antibióticos, visitas aos serviços de saúde, ocupação de leitos em UTI, entre outros.”

6) Porque vacinar crianças ajuda na imunização indireta

Vacinar as crianças interferirá também na proteção indireta da população, já que aumentará a cobertura vacinal e diminuirá a circulação do SARS-CoV-2 e suas variantes. Como consequência, pessoas que não podem se vacinar, seja pela idade (crianças muito pequenas) ou por questões de saúde (os que têm restrições médicas), ficam mais protegidas, destacou a AMB.

“Há a se ponderar também o aspecto da proteção indireta, reduzindo casos secundários. São incontáveis as justificativas éticas, epidemiológicas, sanitárias e de saúde pública que justificam a imunização da população pediátrica, desde que, claro, com vacinas de segurança e eficácia comprovadas por nossa agência regulatória.”