Biólogos do Butantan catalogam espécies nativas da Mata Atlântica a apenas duas horas de SP

A equipe do Museu Biológico já mapeou 15 espécies de cobra, quatro espécies de outros répteis e 49 de anfíbios


Publicado em: 06/04/2022

No interior do estado de São Paulo, entre os municípios de Juquiá, Miracatu e Tapiraí, no Vale do Ribeira, há uma área preservada de 31 mil hectares que é um paraíso para quem estuda serpentes e sapos. Chamada de Legado das Águas, a reserva privada de Mata Atlântica é administrada pela Reservas Votorantim e é frequentada por equipes do Museu Biológico do Instituto Butantan em expedições periódicas de reconhecimento herpetológico (de répteis e anfíbios) das espécies nativas da floresta. Em outras palavras: o Legado das Águas é onde os biólogos do Butantan vão catalogar as espécies da fauna brasileira. 

A parceria entre o Butantan e a Votorantim foi firmada em 2016, quando a equipe do Legado buscou a ajuda do Instituto depois que uma criança de nove anos morreu após sofrer um acidente com uma serpente em Tapiraí. “A partir desse evento, entendemos que era preciso fazer um trabalho de divulgação a respeito de como lidar com as cobras, entender como funciona o soro [antiofídico] e sua distribuição. O Butantan nos ajudou a estruturar como poderíamos melhorar essa questão dentro do Legado e nos municípios”, conta o diretor das Reservas Votorantim, David Canassa. 

 

Foram realizadas ações, educativas em escolas e centros comunitários das cidades vizinhas sobre o comportamento das serpentes, prevenção de acidentes, primeiros socorros e conscientização do papel das cobras na natureza. Desde então, a colaboração com os pesquisadores do instituto só cresceu. Atualmente, a equipe do museu também vai periodicamente ao Legado para realizar pesquisas de identificação, acompanhamento e divulgação das espécies de anfíbios e répteis típicos da Mata Atlântica. 

 

“A partir do conhecimento da herpetofauna da área, a população pode ser informada sobre as principais espécies, as mais comuns, as peçonhentas e a importância da conservação de espécies para o ecossistema. Além de orientar sobre a melhor conduta em caso de acidentes”, comenta o diretor do Museu Biológico, Giuseppe Puorto. 

Entre os dias 1º e 3 de abril, Giuseppe e os analistas de exposição Adriana Mezini e Marcelo Lucas, estiveram na reserva. A equipe encontrou dois filhotes de jararaca e um imago - fase de transformação dos anfíbios de girinos para adultos. Até 2020, a equipe liderada por Giuseppe mapeou 15 espécies de cobra e 49 de anfíbios diferentes habitando a reserva, além de quatro espécies de outros répteis.