Naja de Brasília: saiba como é a vida da famosa serpente que completou um ano no Butantan

A expectativa é que quando o Parque de Ciências do Butantan reabrir, a famosa Nadja chame muita atenção


Publicado em: 13/12/2021

Lembra da naja que chegou de Brasília em agosto do ano passado? Nadja, como foi carinhosamente batizada em enquete pelos seguidores das redes sociais do Butantan, completou um ano morando no Museu Biológico. A serpente, que chamou atenção devido às condições em que foi encontrada – dentro de uma caixa ao lado de um shopping de Brasília –, agora leva uma vida cheia de atenção e cuidados. Além disso, se tornou um símbolo de conservação dos animais peçonhentos, informando e conscientizando a população contra o tráfico de animais. A prática não só prejudica as espécies como coloca a população em risco e compromete o equilíbrio do planeta. 

Desde que chegou da apreensão, Nadja é constantemente observada pela equipe do museu. “Estamos cada vez mais aprendendo a lidar com ela, que está se acalmando muito lentamente”, diz o diretor do museu, Giuseppe Puorto. De seu recinto, localizado em um dos primeiros corredores do museu, a serpente de quase dois metros de comprimento parece serena. Se engana, porém, quem se deixa levar pelas aparências. Segundo o diretor, ela é bastante imprevisível, hora agitada, hora na dela. “Às vezes, nós passamos por aqui, ela está quieta, depois ela levanta, dá susto na gente”, conta.

O Museu Biológico também é lar de uma naja veterana, um macho vindo de Balneário Camboriú (SC) em 2017, resgatada por bombeiros em uma estação de tratamento de água. Giuseppe menciona que a serpente possui as mesmas características da que veio de Brasília, e até suspeita que sejam irmãs. Mais adiante, a equipe do museu pretende realizar teste genético para descobrir se possuem algum parentesco.

 

Como é a rotina de cuidados da Nadja?

Cuidar da Nadja é trabalho redobrado. No Museu Biológico, cada técnico encarrega-se de um grupo de animais. A ideia é conhecer e criar intimidade com o bicho por que isso facilita a compreensão das necessidades dele. O biólogo Marcelo Bellini, técnico responsável pela casa da Nadja, realiza algumas etapas que mantêm o recinto em condições, como lavar, trocar a água, higienizar o vidro e ajeitar os galhos e plantas. No entanto, Giuseppe conta que a organização não dura muito tempo: em pouco tempo a serpente revira tudo. “Ela está confinada, a gente não sabe como esse animal asiático vivia no lugar de onde veio. Não sabemos por quanto tempo ficou no Brasil até chegar aqui no Butantan”.

Para a alimentação não há um padrão. A comida é oferecida de acordo com o peso, tamanho e espécie. Nadja, por exemplo, possui 800 gramas e se alimenta de roedores uma vez por mês, em uma quantia de 10% a 20% de seu peso. Em época de muda, quando entram na fase de crescimento e trocam de pele, as serpentes comem menos. Giuseppe explica que a tensão do animal é maior nesse período e que por isso recusam o alimento.

 

 

Museu Biológico do Butantan: informação, divulgação, conservação e educação ambiental 

Giuseppe reforça a importância do museu na promoção de informação, divulgação, conservação e educação ambiental. A Nadja, segundo ele, contribuirá para a conscientização da população, mostrando os perigos de retirar ilegalmente um animal exótico e peçonhento da natureza. Cerca de 70% dos animais que lá estão possuem o histórico semelhante ao da naja, ou seja, vieram de apreensões. Além de doações espontâneas, é rotina do Butantan receber animais resgatados, tanto nacional como internacional. O Instituto, por meio do Museu Biológico, colabora com os órgãos fiscalizadores, como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). 

O diretor lembra de quando chegou, em 1998, quando havia somente uma pequena exposição de animais e poucas pessoas para cuidar do lugar. Hoje, depois de restruturações, o museu conta com um time integrado de biólogos que mantêm tudo funcionando: técnicos para manejo e manutenção, que são os responsáveis por deixar os recintos personalizados de acordo com as necessidades de cada animal; setor veterinário, que cuida da saúde animal; e o educativo, essencial para a divulgação o trabalho do museu, com educadores e monitores.

Por causa da pandemia, o Parque de Ciências do Butantan está fechado, mas a expectativa para quando reabrir é de que a famosa Nadja chame muita atenção. “Ela virou um símbolo, isso é muito importante. Quando retornarmos à programação, temos certeza de que ela será uma das vedetes”, brinca Giuseppe. 

Enquanto o Parque não é reaberto, a equipe trabalha para manter tudo impecável para o retorno das atividades. Enquanto isso não acontece, conheça o Museu Biológico por meio do tour virtual que o Butantan preparou para você.

 

*Quem tiver ou souber de alguém que tenha um animal irregular em casa, procure um órgão competente, não solte na natureza. Assim, ninguém é colocado em risco.

Saiba mais aqui: O que acontece com os animais vítimas de práticas ilegais no Brasil? - Instituto Butantan