Tecnologia da CoronaVac a torna segura e eficaz para crianças, diz diretor do Butantan

Usada em vacinas pediátricas, a plataforma de vírus inativado confere segurança e efeitos adversos muito leves ou nulos


Publicado em: 15/02/2022

As vacinas previnem doenças e salvam vidas de crianças desde o século 18 e com a Covid-19 não é diferente: os imunizantes atualmente disponíveis, como a CoronaVac, vacina do Butantan e da Sinovac, são comprovadamente eficazes e seguros para crianças e por isso elas devem ser vacinadas o quanto antes, afirma o diretor médico do Instituto Butantan, Wellington Briques.

“Como alguém que está em contato direto com o desenvolvimento de várias vacinas, agora principalmente a CoronaVac, e tem acesso a dados de segurança e de efetividade na população infantil, a minha recomendação aos pais é que vacinem seus filhos”, diz Briques. O médico lembra que a plataforma é amplamente utilizada [do vírus inativado] e tem efeito colateral muito leve.

Para os pais que ainda têm dúvidas sobre vacinar ou não os filhos contra a Covid-19, o médico Wellington Briques explica que população pediátrica é hoje a que corre mais riscos de contrair Covid-19 e ter infecções graves. “Até pouco tempo atrás, nós não tínhamos uma vacina aprovada para crianças. Porém, com os diversos estudos que foram feitos, foi comprovado que os imunizantes são seguros e reduzem o risco de complicações”, diz.

Sem estar com a vacinação em dia contra a Covid-19, as crianças estão mais suscetíveis a desenvolver complicações relacionadas ao coronavírus, como a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e a Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P), condições que podem levar a óbito e são cada vez mais frequentes nos hospitais pediátricos do país. Só no último mês, o Brasil registrou mais de 3.300 casos de SRAG e 53 casos de SIM-P na faixa etária de zero a 19 anos, de acordo com o Ministério da Saúde.

 

Ter Covid-19 não significa que você está imunizado

Vale lembrar que as vacinas sempre estiveram presentes na vida das crianças. Com três meses de idade, elas já começam a receber os primeiros imunizantes. “A carteira de vacinação é o primeiro documento da criança”, aponta Briques.

Segundo o diretor médico, a única proteção das crianças não vacinadas é a imunidade natural, aquela que é adquirida após a infecção. “Essa imunidade tem duração curta, de dois a quatro meses, e não evita uma nova infecção. Com isso, a chance de ter uma reinfecção mais grave é maior. Essa é uma das razões para precisarmos de três doses da vacina, para manter o nosso nível de imunidade em uma taxa efetiva. Portanto, assim como os adultos, as crianças também precisam ser vacinadas”, esclarece.

 

Cerca de 300 milhões de crianças já foram vacinadas com a CoronaVac

Mais de 40 países no mundo já vacinam crianças contra a Covid-19. No caso da CoronaVac, vacina do Butantan aprovada no Brasil para uso emergencial na faixa etária de seis a 17 anos, mais de 300 milhões de crianças já foram imunizadas em países como China, Chile, Indonésia, Equador e África do Sul. Não foram observados efeitos adversos graves e diversos estudos demonstraram a segurança da vacina para esse público. Esses dados também podem ser acessados no Dossiê CoronaVac focado em crianças e adolescentes, lançado em janeiro pelo Butantan.

Wellington Briques reforça que a CoronaVac não é uma vacina experimental e reforça que o imunizante já passou por estudos pré-clínicos (modelos animais), estudos clínicos de fase 1 (para atestar a segurança), de fase 2 (para verificar segurança e eficácia) e fase 3 (confirmar a eficácia em uma população maior). “A diferença entre uso emergencial e uso experimental é um abismo. Nós já passamos esse abismo do experimental para o uso emergencial. E estamos caminhando para a aprovação definitiva das vacinas”, diz o diretor médico.