Aranha cega ganha nome de Dorinha, em homenagem à personagem deficiente visual

Espécie minúscula não tem olhos e vive em família dentro de cavernas escuras localizadas em Minas Gerais


Publicado em: 22/02/2022

Quatro espécies novas de aranhas da família Ochyroceratidae encontradas em cavernas de Minas Gerais agora se chamam Ochyrocera dorinha, Ochyrocera monica, Ochyrocera magali e Ochyrocera rosinha. As aranhas dessa família costumam ser muito pequenas e parte delas só vive dentro de cavernas. Por viverem no escuro, algumas são cegas.  

O pesquisador Antonio Domingos Brescovit, do Instituto Butantan, escolheu esses nomes para homenagear especialmente a personagem Dorinha, deficiente visual, já que a aranha Ochyrocera dorinha não tem olhos. 

A Dorinha da Turma da Mônica, série de quadrinhos de Maurício de Souza, é inspirada na educadora e ativista brasileira Dorina Nowill, também deficiente visual, que criou em 2002 uma entidade sem fins lucrativos para promover o acesso de cegos à educação, a Fundação Dorina Nowil para Cegos.

Não é de hoje que o cientista gosta de dar nomes excêntricos para as aranhas que descobre: em 2018, ele descreveu sete espécies que foram batizadas como personagens de famosas obras de ficção, como Harry Potter, O Senhor dos Anéis e Game of Thrones.

Para identificar essas novas espécies, os pesquisadores precisaram coletar milhares de aranhas. “Como elas são minúsculas, nós coletamos tudo o que encontramos e depois fazemos as análises no laboratório”, afirma Brescovit. Ele explica que o melhor horário para realizar as coletas é à noite, já que a maioria das aranhas é noturna. Do gênero Ochyrocera, só das que vivem em cavernas, a equipe já descreveu 14 espécies em menos de dois anos.

Por que é importante descobrir novas espécies?

O Brasil possui uma imensa diversidade de animais e existe uma urgência em descrever as espécies, já que muitas áreas são impactadas pela ação humana. Um dos objetivos da equipe de Brescovit é descrever aranhas que vivem exclusivamente em cavernas, porque são áreas que sofrem com o impacto da mineração. “Ter esses animais mapeados e saber onde eles vivem, saber se a vida deles está ameaçada, pode ajudar a preservar esses locais”, diz o cientista.