Nova linhagem do vírus da dengue é detectada no Brasil em meio a surto da doença

Cepa mais disseminada no mundo só havia sido detectada na América do Sul uma outra vez, no Peru em 2019


Publicado em: 13/05/2022

Uma nova linhagem da dengue foi detectada pela primeira vez no Brasil em um homem de Aparecida de Goiânia (GO) por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e do Laboratório Central de Saúde Pública de Goiás (Lacen-GO). O genótipo do sorotipo 2, também conhecido como genótipo cosmopolita, é a linhagem do vírus da dengue mais disseminada no mundo, mas nunca havia sido encontrada no país. O Brasil vive um surto da doença, com mais de 500 mil casos registrados entre janeiro e abril.

O achado representa o segundo registro oficial desta linhagem na América do Sul, já que no Peru houve um surto deste subtipo em 2019. Atualmente predomina no Brasil o vírus da dengue conhecido como genótipo 3 do sorotipo 2, ou genótipo asiático-americano.

Segundo a Fiocruz, a identificação foi feita em fevereiro a partir de uma amostra de um caso ocorrido no final de novembro na cidade goiana. A detecção foi comunicada às secretarias municipal e estadual e ao Ministério da Saúde e um artigo detalhando a descoberta foi publicado na plataforma de preprints medRxiv.

O vírus da dengue (DENV) é um arbovírus transmitido pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti e tem quatro sorotipos diferentes: DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4,. Cada um deles pode se dividir em diferentes linhagens ou genótipos por causa das variações genéticas sofridas. A linhagem encontrada no Brasil é uma das seis do sorotipo 2 da dengue.

Dengue no Brasil

Segundo boletim do Ministério da Saúde publicado no começo de maio, houve um aumento de 113,7% nos casos prováveis da doença de janeiro a abril deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado. A região centro-oeste é a que tem mais casos no país, e Goiânia (GO) é o município que lidera a lista, com mais de 31 mil casos até 23 de abril, segundo o Ministério da Saúde.

Apesar dos números de casos em Goiás, os pesquisadores da Fiocruz afirmaram que os dados não fazem relação direta com o novo genótipo e o aumento de casos no estado.

Dos 60 genomas decodificados pelos pesquisadores em Goiás nas duas primeiras semanas de fevereiro, aproximadamente metade pertencia ao sorotipo 1 e a outra metade ao sorotipo 2. Entre as amostras do sorotipo 2, apenas uma era do genótipo cosmopolita e todas as demais apresentaram o genótipo asiático-americano, atualmente circulante no Brasil, disse o instituto em comunicado.