CoronaVac mantém proteção seis meses após segunda dose e terceira dose aumenta níveis de anticorpos em até quatro vezes, mostra acompanhamento do Projeto S

Já houve três coletas de sorologia na população de Serrana: em julho e outubro de 2021, e em janeiro de 2022


Publicado em: 14/02/2022

Seis meses após a administração da segunda dose da CoronaVac, vacina do Butantan e da farmacêutica chinesa Sinovac, as taxas de soroconversão contra o vírus SARS-CoV-2 em todas as faixas etárias se mantiveram cima de 99%. Além disso, a administração da dose de reforço da mesma vacina em idosos aumentou de duas a quatro vezes seus níveis de anticorpos. Essas são as conclusões preliminares da segunda etapa de sorologia e avaliação da resposta imunológica dos voluntários do Projeto S – estudo de efetividade do Butantan que vacinou a população da cidade de Serrana-SP no primeiro semestre de 2021 para avaliar a capacidade da CoronaVac de conter a pandemia e a transmissão do vírus SARS-CoV-2.

Até agora, foram realizadas três coletas de sorologia nos participantes do Projeto S: a primeira, em julho de 2021, três meses após a vacinação; a segunda em outubro de 2021, seis meses após a vacinação; a terceira, em janeiro de 2022, nove meses após a vacinação. Uma última coleta será feita em abril de 2021, doze meses após a imunização. Podem participar pessoas de todas as idades, desde que tenham sido voluntárias do Projeto S. As análises da segunda coleta se referem a um período em que os idosos já haviam começado a receber a dose de reforço pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) ou por meio da parceria entre o Butantan e a Prefeitura de Serrana. Na cidade, a maior parte da população acima de 60 anos recebeu a CoronaVac também na terceira dose.

“Foi possível observar um incremento grande nos níveis de anticorpos na população mais idosa da ordem de duas a quatro vezes quando comparados à etapa anterior, mostrando a capacidade da CoronaVac em promover um aumento importante na resposta imune com a terceira dose mesmo nas faixas etárias mais elevadas”, explica o médico Gustavo Volpe, diretor técnico do Hospital Estadual de Serrana e um dos coordenadores do Projeto S.

“Vale ressaltar também que na população que não havia recebido a terceira dose, entre 18 e 59 anos, não houve uma queda significativa nos níveis de anticorpos entre as coletas de três e seis meses, mostrando uma resposta imunológica sustentada para a vacinação com duas doses de CoronaVac”, completa o pesquisador.

Inicialmente, o Projeto S previa o acompanhamento da população de Serrana por mais um ano após a conclusão do esquema vacinal e se encerraria em fevereiro de 2022, mas a equipe pretende pedir a renovação e continuar as análises por mais um ano. Essa ação está relacionada à própria situação da pandemia, que vem exigindo adaptações nos esquemas vacinais e na administração das doses de reforço devido às novas variantes e à continuidade das altas taxas de transmissão do vírus SARS-CoV-2.

O objetivo da nova fase do Projeto S é continuar coletando informações sobre o comportamento da imunidade gerada pela vacina ao longo do tempo e, principalmente, saber como os títulos de anticorpos e a imunidade celular vão se comportar em relação à infecção e ao desenvolvimento de casos mais graves.