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Vacina contra chikungunya do Butantan começa a ser distribuída em Mirassol (SP); entenda como vai funcionar a estratégia piloto

O planejamento inicial contempla 10 municípios de quatro estados, selecionados com base em estudo epidemiológico; ação vai avaliar o impacto do imunizante em regiões endêmicas para o vírus


Publicado em: 02/02/2026

Reportagem: Aline Tavares
Fotografia: Comunicação Butantan

Nesta segunda (2/2), o município de Mirassol, na região noroeste do estado de São Paulo, será o primeiro do Brasil a proteger sua população com a vacina contra a chikungunya desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica franco-austríaca Valneva. Em 2025, a doença viral, que é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, atingiu 129 mil pessoas e causou pelo menos 120 mortes no Brasil, de acordo com o Painel de Arboviroses do Ministério da Saúde.

A iniciativa, que faz parte de um projeto piloto, vai envolver outros 9 municípios de Minas Gerais, Sergipe e Ceará: Sabará, Sete Lagoas, Santa Luzia e Congonhas (MG); Simão Dias, Lagarto e Barra dos Coqueiros (SE); Maranguape e Maracanaú (CE). A seleção dos municípios se deu a partir de um estudo epidemiológico, que utilizou um modelo matemático para predizer as regiões com maior risco de apresentar surtos de chikungunya entre 2025 e 2027.

A vacinação em regiões endêmicas (onde o vírus circula) é essencial para avaliar a efetividade de um imunizante – ou seja, o quanto ele é capaz de reduzir as infecções. Para isso, o Instituto Butantan irá monitorar os casos positivos e negativos de chikungunya nos municípios participantes da estratégia e comparar os dados entre vacinados e não vacinados. O Instituto também irá conduzir estudos pós-comercialização a fim de monitorar a segurança da vacina a longo prazo. Após a vacinação, as equipes dos postos de saúde estarão disponíveis para orientar as pessoas interessadas em participar dos ensaios clínicos.

Embalagem da vacina contra Chikungunya do Instituto Butantan

 

Sobre a vacina

A vacina do Butantan contra a chikungunya é a primeira do mundo a ser disponibilizada para prevenir a doença. Aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em abril de 2025, ela teve sua segurança e capacidade de gerar anticorpos comprovadas em estudos clínicos feitos nos Estados Unidos e publicados na revista científica The Lancet. Dos 4 mil voluntários adultos que participaram da pesquisa, 98,9% produziram anticorpos neutralizantes. Além do Brasil, o produto já foi aprovado para uso no Canadá, Reino Unido e Europa.

Por ser desenvolvido com tecnologia de vírus atenuado, o imunizante não é indicado para pessoas imunodeficientes ou imunossuprimidas, pessoas que tenham mais de uma condição médica crônica ou mal controlada (comorbidades) e mulheres grávidas ou que estejam amamentando. Entre as principais reações adversas que podem ocorrer após a aplicação da vacina estão dor de cabeça, enjoo, cansaço, dor muscular, dor nas articulações, febre e reações no local da injeção (sensibilidade, dor, vermelhidão, endurecimento, inchaço).

 

Vacina chikungunya do Instituto Butantan

 

Sobre a chikungunya

A chikungunya costuma causar febre de início súbito (acima de 38,5°C) e dores intensas nas articulações de pés e mãos, além de dor de cabeça, dor muscular e manchas vermelhas na pele. Em casos mais raros, o vírus pode atingir o sistema nervoso central e gerar problemas neurológicos. O principal impacto da doença é que a dor nas articulações pode se tornar crônica e durar de meses a anos. Sem um antiviral específico disponível, o tratamento é feito com antitérmicos e analgésicos, além de repouso e hidratação. 

O maior impacto da chikungunya ocorre quando ela evolui para a fase crônica, que pode atingir até metade dos pacientes. Nesses casos, a dor nas articulações pode perdurar por meses ou anos, prejudicando a qualidade de vida e impedindo atividades laborais. Um estudo da Universidade George Washington, dos Estados Unidos, avaliou 500 pacientes e mostrou que uma em cada oito pessoas diagnosticadas com a arbovirose apresentou dor articular persistente por três anos após a infecção. 

Em outra pesquisa, cientistas da Universidade Federal do Rio Grande do Norte compararam um grupo de pacientes com chikungunya crônica e um grupo de pessoas saudáveis, e observaram diferenças significativas na saúde física e mental. Os indivíduos afetados pela forma crônica da doença tiveram um risco 13 vezes maior de desenvolver depressão, além de 76 vezes mais chance de ter problemas de locomoção.

 

Vacina chikungunya do Instituto Butantan