Impacto da CoronaVac no sistema imune indica que vacina protege contra ômicron, diz gerente de incidentes da OMS

Segundo Abdi Mahamud, apesar das respostas diferentes, todos os imunizantes funcionam no combate à Covid-19


Publicado em: 06/01/2022

Estudos recentes mostram que as vacinas de vírus inativado como a CoronaVac, do Butantan e da farmacêutica chinesa Sinovac, funcionam no combate à Covid-19 e podem ser capazes de combater também a variante ômicron do SARS-CoV-2. Essa é a opinião do epidemiologista Abdi Mahamud, gerente da Equipe de Suporte ao Gerenciamento de Incidentes de Covid-19 (IMST, na sigla em inglês), da Organização Mundial da Saúde (OMS).

“O que vimos até agora é que o que vai proteger de hospitalização [pela Covid-19] com efeitos severos e óbitos é a resposta das células T. Há uma diminuição nos anticorpos neutralizantes, e aí entram as células T”, explicou o médico em coletiva de imprensa online na última terça (4), referindo-se às células de memória ou linfócitos T, que fazem parte do sistema imune e ajudam a proteger o corpo contra infecções no longo prazo.

Se há qualquer alteração detectada pelos anticorpos, as células T usam “força bruta”, gerando uma proteção específica a partir do reconhecimento do vírus pelos linfócitos. Segundo Abdi Mahamud, como as novas variantes são como “primos próximos”, pertencentes à mesma família do SARS-CoV-2, as células T vão manter sua habilidade de reconhecer e proteger da forma mais grave da doença.

“Todas as vacinas que têm sido usadas têm uma resposta e proteção muito boa de células T. Nós vimos uma parte que veio da Sinovac [CoronaVac], e ela mostra uma neutralização. Pretendemos focar no que as vacinas estão fazendo com as células T e na prevenção de hospitalização”, completou o epidemiologista.

Segundo Abdi Mahamud, apesar de provocarem respostas diferentes em termos de prevenção e proteção à infecção, todos os imunizantes atualmente em uso funcionam no combate à Covid-19.

“O que nós sabemos das vacinas é que elas, sim, previnem, tanto Sinovac, quanto Sinopharm [vacina de vírus inativado produzida pela farmacêutica chinesa de mesmo nome]. Os estudos do Chile e de outros lugares mostraram que funcionam muito bem contra hospitalizações com efeitos severos”, explicou o médico. “A nossa previsão é que a proteção contra hospitalização com efeitos severos e mortes seja mantida”, completou.