Chile não está aplicando terceira dose da vacina, está planejando dose de reforço, explica Dimas Covas
Publicado em: 16/07/2021

Com mais de 80% da população imunizada com duas doses, o Chile não está distribuindo uma terceira dose, mas sim iniciando a aplicação de uma dose de reforço, tendo em vista o risco da variante delta do SARS-CoV-2. O esclarecimento foi feito pelo presidente do Butantan, Dimas Covas, na manhã desta sexta (16), durante a entrega de 1 milhão de doses da CoronaVac, vacina do instituto e da farmacêutica chinesa Sinovac contra a Covid-19, ao Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, totalizando 55,149 milhões de doses entregues desde janeiro.

“O Chile está adotando, da mesma forma que o Reino Unido, a previsão do segundo ciclo vacinal. A vacinação para o Covid deve ser anual, e como esses países adiantaram muito no primeiro ciclo, já estão prevendo o segundo ciclo. O mesmo deve acontecer aqui no Brasil a partir do ano que vem para todas as vacinas”, assinalou Dimas, lembrando que já há estudos em andamento, no Brasil e em outros países, prevendo o novo ciclo de vacinação. “São coisas diferentes. O Chile não está recomendando uma terceira dose, ele está planejando já a revacinação da sua população.” O país andino, assim como o Brasil, utiliza a CoronaVac – no caso do Chile, porém, o imunizante é negociado diretamente com a Sinovac.

 

 

A aplicação de uma dose de reforço anual na imunização contra a Covid-19 – assim como já acontece hoje em relação à influenza (gripe) – vem sendo cada vez mais discutida diante do avanço da variante delta do SARS-CoV-2. Dimas Covas ressaltou que ainda não foram feitos estudos populacionais, mas que os testes de laboratório mostram que as vacinas disponíveis contra a Covid-19 têm uma resposta neutralizante menor em relação à variante delta. Essa conclusão, no entanto, não compromete a eficiência da vacinação, desde que sejam aplicadas as duas doses (no caso da CoronaVac e das outras vacinas que necessitam de duas aplicações para completar seu esquema vacinal).

Inicialmente conhecida como cepa indiana, a delta tem uma velocidade de transmissão maior e já é dominante em diversos países. No Brasil, os primeiros casos de pessoas infectadas pela variante por transmissão comunitária foram identificados no início de julho, sendo que pacientes infectados que haviam viajado à Índia já haviam sido descritos em meados de maio.

Por enquanto, porém, a variante delta não é representativa no Brasil do ponto de vista populacional. De acordo com o levantamento semanal da Rede de Alertas das Variantes do SARS-CoV-2, coordenada pelo Butantan, essa cepa ainda não é significativa no estado de São Paulo. “Apareceram três casos até o momento [no levantamento]. São casos de transmissão comunitária, por isso nós precisamos ficar alertas”, afirmou Dimas. “Estamos monitorando isso muito de perto para que não sejamos pegos de surpresa.”

A preocupação do Brasil continua sendo a variante gama, ou P.1 (amazônica). De acordo com o último boletim epidemiológico da Rede de Alertas das Variantes, essa cepa corresponde a 90,74% dos casos analisados no estado de São Paulo. “Nós temos uma vacina já em desenvolvimento, pronta para ser usada, que inclui essa variante gama”, contou Dimas. Além disso, o Butantan está planejando um estudo para analisar o efeito da vacinação anual com as variantes de interesse que seria uma continuação do Projeto S (pesquisa realizada em Serrana, no interior de São Paulo, que testou a aplicação da vacina no mundo real ao imunizar toda a população do município).