Publicado em: 24/11/2021

CoronaVac é segura, não causa demência, abortos ou AVC; quantidade de hidróxido de alumínio é inofensiva ao organismo

Os ensaios clínicos de fase 1, 2 e 3 da CoronaVac, bem como os resultados alcançados pelo imunizante no Brasil, China, Chile, Turquia, entre mais de 40 países, já provaram que a vacina do Butantan e da Sinovac é segura para todos os públicos e salva vidas no combate à Covid-19. Ainda assim, fake news sem qualquer embasamento científico relacionadas à composição e às reações adversas continuam sendo espalhadas por integrantes do movimento antivacina.

Em um vídeo que circula nas redes sociais uma integrante desse movimento afirma que cada dose da CoronaVac contém 225 microgramas de alumínio, e que essa substância estaria associada ao mal de Alzheimer. Isso é falso. O que a vacina contém é hidróxido de alumínio, e em uma concentração incapaz de prejudicar um ser humano de qualquer idade ou condição física. A quantidade é segura e obedece ao limite aprovado por órgãos reguladores internacionais e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que é de 0,15 a 0,30 ml por cada dose de 0,5 ml.

O hidróxido de alumínio é um adjuvante (substância que intensifica o potencial imunogênico da vacina) comum e de uso convencional em outros tipos de imunizantes e medicamentos, e que não apresenta qualquer risco de toxicidade nem causa magnetismo. 

No mesmo vídeo, a mulher sugere, sem indicar a fonte da informação, que universidades vêm identificando grafeno (que teria propriedades magnéticas) na composição da vacina. Cada dose de 0,5 ml de suspensão injetável contém 600 SU do antígeno do vírus inativado SARS-CoV-2. Dentro dessa composição há também os seguintes excipientes (substâncias inertes incorporadas como veículo a certos medicamentos): hidróxido de alumínio, hidrogenofosfato dissódico, di-hidrogenofosfato de sódio, cloreto de sódio e água para injetáveis. Não há grafeno na CoronaVac.

Saiba mais: Vacinas contra a Covid-19 não possuem ímãs nem causam magnetismo

Outra fake news é que a vacina foi desenvolvida a partir de células de fetos abortados. Na CoronaVac foram utilizadas células Vero – uma linhagem de células epiteliais renais do macaco-verde africano desenvolvida em 1962 – para cultivar o vírus utilizado na produção da vacina. Essas células não são componentes de vacinas; são somente utilizadas em testes para criar a proteína produzida por elas ou o vírus replicado nelas – vírus que sai da célula, fica no meio da cultura e é então coletado, inativado e purificado para a fórmula da vacina. Sendo assim, nem no desenvolvimento nem na produção da CoronaVac foram utilizadas células fetais humanas.

Saiba mais: A vacina do Butantan não é desenvolvida a partir de células-tronco de fetos

Por último, a mulher afirma que a vacina causa demência, abortos e AVC. Todas essas alegações são absurdas e inverídicas. Os ensaios clínicos de fase 3 da CoronaVac no Brasil mostraram que os efeitos adversos da vacina, quando acontecem, são predominantemente leves. Durante os cinco meses dos ensaios clínicos, que envolveram mais de 12 mil voluntários, a incidência de eventos adversos graves foi de apenas 1,8% e não houve nenhuma morte relacionada à vacina. Além disso, os dados recebidos até meados de outubro pela área de Farmacovigilância do Butantan indicam que os raros casos de trombose ou óbitos ocorridos após a aplicação da CoronaVac tiveram outras causas, sem relação direta com a vacinação.

Vale lembrar que as reações mais comuns à CoronaVac (apresentadas por mais de 10% das pessoas) são dor de cabeça, cansaço e dor local; enquanto as comuns (entre 1% e 10% das pessoas) são enjoo, diarreia, dor muscular, calafrios, perda de apetite, tosse, dor nas articulações, coceira, coriza, congestão nasal, além de vermelhidão, inchaço ou enduração no local da injeção. As incomuns (que envolvem entre 0,1% e 1% das pessoas) são vômito, febre, vermelhidão, reação alérgica, dor de garganta, dor ao engolir, espirros, fraqueza muscular, tontura, dor abdominal, sonolência, mal-estar, dor nas extremidades, dor abdominal superior, dor nas costas, vertigem, falta de ar, inchaço e hematoma local.

Saiba mais: Quatro fatos que explicam por que a CoronaVac é segura para todos os públicos