Artigo de Dimas Covas na Folha reafirma eficácia da CoronaVac e condena ataques contra a vacina


Publicado em: 05/07/2021

Neste domingo (4), o jornal Folha de São Paulo publicou em sua edição impressa um artigo opinativo escrito pelo presidente do Butantan, Dimas Covas. Nele, o cientista retoma alguns dos estudos que comprovaram a eficácia e a eficiência da CoronaVac, vacina produzida pelo instituto em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac. Além disso, condena os ataques que visam desqualificar a vacina e, consequentemente, a imunização dos brasileiros, e que têm partido de diferentes agentes.

Confira o artigo na íntegra:

Uma Vacina Sob Ataque

No Brasil, nesse momento calamitoso de crise sanitária alimentada pela incompetência de algumas autoridades públicas que privilegiaram o debate político e a ideologização da pandemia deixando o seu combate para o plano secundário, tem sido destaque o ataque às vacinas num primeiro momento e, mais recentemente, o ataque ignorante, irresponsável e inconsequente à CoronaVac, produzida pelo Instituto Butantan. Vivemos um verdadeiro "fla-flu" vacinal.

Essas manifestações têm duas origens distintas mas que se retroalimentam de forma perversa. Algumas com PhD desqualificam o debate que, antes de tudo, é sobre saúde pública. Os questionamentos mais comuns oscilam entre “os dados ainda não foram publicados” e “a eficácia geral da vacina é baixa”. Essas colocações refletem a má vontade com a vacina, pois estes comentadores se furtaram de analisar o repertório de dados disponíveis sobre a segurança, eficácia e eficiência da CoronaVac. Há quem preste vassalagem à ciência ocidental e às suas multinacionais. A China, país que desenvolveu inicialmente a vacina no início da pandemia, tem seu valor reduzido simplesmente por estar fora do estabelecido eixo norte-norte. O ressentimento de outros que não participaram diretamente do sucesso da vacina que garantiu o início do programa de vacinação em massa tem se disfarçado de ciência.

O mais grave é que essas pessoas qualificadas, creio que de forma não intencional, têm dado aval a um discurso de ódio presente na outra parte dos ataques, vinda de pessoas sem conhecimento científico. Deste lado temos a torcida organizada da cloroquina e de outros tratamentos mágicos, membros da coorte belzebuniana que comemora os mais de 514.000 mortos no Brasil, e que participa de equivocadas motociatas pelo Brasil. Estes não buscam um diálogo. Um “chip implantado por meio de uma microagulha” é mais factível que a comprovação científica atestada pela Anvisa e a validação da vacina pela autoridade máxima que trata de políticas públicas de saúde no mundo, a OMS (Organização Mundial de Saúde).

Estamos presenciando uma ação para desconstruir a vacina que tem o brilho de ter sido a primeira no Brasil, e que foi responsável por toda a fase inicial do Programa Nacional de Imunização. Na pior fase da pandemia as pessoas mais vulneráveis e que acumulavam os piores índices de internação e óbitos foram protegidas. O resultado nesses dois grupos, idosos e trabalhadores da saúde da linha de frente, foi constatado na prática. Atualmente somam-se mais de 50 milhões de doses aplicadas.

Em resposta a essas críticas, o artigo relativo ao estudo da fase 3 está disponível no portal SSRN. A Lancet publicou recentemente dados de segurança da CoronaVac em crianças a partir de 3 anos e adolescentes. No Uruguai, conforme relatório do Ministério da Saúde, a CoronaVac foi mais eficaz em reduzir mortes, chegando a 97%, comparado à outra vacina utilizada naquele país, que obteve performance de 80%.

O grande destaque para o Instituto Butantan é, no entanto, a condução do primeiro estudo controlado de eficiência nessa pandemia, ocorrido no município de Serrana, em São Paulo, com 45 mil habitantes e 28 mil adultos com mais de 18 anos. Cinco semanas após a última vacinação, observou-se redução de 95% nos óbitos, 86% nas internações e 80% nos casos sintomáticos. Mas, o que mais chamou a atenção é que esses números foram verificados na população geral, além da população adulta vacinada. Quanto ao tema “imunidade coletiva”, objetivo principal durante um surto epidêmico, tudo indica que esse efeito foi atingido com a vacinação de 75% da população adulta. Acreditamos se tratar de uma colaboração significativa para a discussão.

Em conjunto, esses estudos mostram a segurança, a eficácia e a eficiência da vacina CoronaVac produzida pelo Butantan em associação com a Sinovac. Temos uma vacina que está salvando a vida de milhares de pessoas no Brasil e no mundo.